Política
Funda��o vai devolver dinheiro de concurso
MARCOS RODRIGUES A Fundação Escola Superior do Ministério Público de Alagoas (Fesmpa) decidiu, em reunião de seus diretores, pela devolução dos R$ 350 mil, pagos pelo Tribunal de Justiça de Sergipe (TJ/SE), para a organização do concurso público para o preenchimento de vagas de técnicos do Poder Judiciário. Desde que a polêmica envolvendo as denúncias de ?clonagem? das provas veio a público, o presidente da fundação, promotor Cyro Blater, garantiu que a entidade acataria qualquer decisão do judiciário sergipano. O promotor Cyro Blater explicou, ainda, que o fato de a Fesmpa ter sido escolhida para organizar a seleção, sem licitação, não a impedia de terceirizar a elaboração das provas. A licitação foi dispensada pelo genro do presidente do Tribunal de Justiça sergipano. Ele declarou razões particulares para a escolha da Fesmpa. Especificamente sobre esse assunto, o promotor Cyro Blater explica que a Fesmpa seguiu rigorosamente o trâmite legal do processo. Com isso, caberia a ela a contratação de qualquer entidade, desde que considerasse necessária ? e considerou. Tanto que contratou o Instituto Paulista de Ciências da Administração (IPCA), para elaboração e correção das provas do concurso. A entidade tem conceito ?A? na avaliação anual do Ministério da Educação (MEC) e conta com um quadro de professores com mestrado e doutorado. Processo É o IPCA quem está sendo processado pela Fesmpa, que não tem fins lucrativos. O motivo da ação judicial é a utilização de questões para a prova do concurso do TJ de Sergipe. A fundação alagoana se considera prejudicada em sua imagem pela entidade que, por conta de má elaboração das provas, expôs a entidade alagoana, ?causando danos irreparáveis?. Para o promotor, o instituto cometeu ?crime de estelionato?, além de agir de forma ?antiética?. ?Como alguém poderia supor que um preposto (representante) do IPCA, com mestrado e doutorado seria capaz de clonar questões??, indagou Blater. A Fesmpa confirmou que os quesitos foram retirados de provas ocorridas em outros concursos e disponíveis na Internet. O responsável pelas provas foi o professor paulista Ian Becker. Ele foi procurado pela reportagem da GAZETA para comentar o caso, mas não deu retorno a nenhuma das ligações. Descoberta A descoberta da ?clonagem? foi feita por um dos candidatos do concurso, advogado Hélber Batalha, que enfrentou, juntamente com a OAB de Sergipe, todas as ?adversidades?, para conseguir a anulação do concurso. Isso porque bateu de frente com os interesses do judiciário sergipano. É que entre os beneficiados pelo concurso estavam parentes de juízes e desembargadores. Para conseguir a anulação do ?concurso da clonagem?, a OAB teve que recorrer ao Tribunal Regional Federal da 5ª Região, do Recife, através do Ministério Público Federal sergipano. Isso porque em Sergipe todos os juízes federais se ?averbaram suspeitos? para julgar a liminar impetrada pela Ordem pedindo a anulação da seleção.