Política
Estudantes protestam contra crise no ensino p�blico de AL
ARNALDO FERREIRA Estudantes das redes estadual e municipais de ensino da capital e do interior, pais de alunos, professores e dirigentes do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Alagoas (Sinteal) saíram em passeata, ontem, pelas ruas de Maceió no movimento que chamaram de ?SOS Educação?, e se concentraram na Praça dos Martírios, em frente ao Palácio Floriano Peixoto. Portando faixas e cartazes com frases de protesto e fotografias de supostas carências e deficiências nas escolas públicas dos níveis fundamental e médio, os manifestantes cobravam mais professores nas salas de aula, equipamentos pedagógicos, laboratórios, bibliotecas e reposição salarial. Estudantes do Ensino Médio da periferia de Maceió radicalizaram e, por onde passavam, jogavam bombas do tipo rojão de São João, sem ser reprimidos pelos pais e professores. Algumas bombas foram jogadas na Praça dos Martírios e outras dentro do Palácio do Governo. Os seguranças, temendo a invasão do prédio, trancaram as entradas centrais com cadeados. As polícias Civil e Militar acompanharam a distância a manifestação, que aconteceu durante quase todo o dia. Enquanto os manifestantes agitavam na frente do palácio, o secretário-executivo de Educação, Maurício Quintella, visitava escolas do município de Barra de Santo Antônio, no Litoral Norte. O governador Ronaldo Lessa (PSB), que estava reunido com o secretário de Agricultura, Severino Leão, não gostou de ouvir palavras agressivas dos manifestantes, que usavam um carro de som em frente ao palácio. Lessa cobrou informações sobre a situação do ensino público estadual à Secretaria de Educação e prometeu divulgar a posição do governo à tarde, revelava no final da manhã a assessoria de comunicação da pasta da Educação. Do lado de fora do palácio, a presidente do Sinteal, professora Cirlene Lázaro da Silva, revelou os objetivos da manifestação: ?Chamar a atenção da sociedade para problemas de falta de professores na maioria das escolas, deficiências na infra-estrutura, inclusive em escolas novas. Nós, do Sinteal, também iniciamos a campanha salarial?, disse a sindicalista. A categoria reivindica, entre outros pontos, reposição salarial de 35% . Enquanto os estudantes, no carro de som do Sinteal, cobravam professores na sala de aula, computadores, laboratórios e transporte escolar, mães, como as donas de casa Maria Cícera Correia de Lima, 37; Adriana Correia, 35 e Elenilda dos Santos, 24, reclamavam que os filhos estão sem estudar na Escola municipal João Sampaio I, no bairro de mesmo nome, por falta de professores e de segurança. O aposentado Sebastião Xavier de Barros, 56, lamentou que dois filhos seus estejam numa escola que é nova, mas não tem professor.