Política
ENTIDADES REAGEM A REDUÇÃO DO PPA PARA SAÚDE E SEGURANÇA
Representante dos militares diz que governador fez propaganda enganosa ao alardear investimentos
O envio de um Projeto de Lei para a Assembleia Legislativa (ALE) alterando números do Plano Pluri Anual (PPA) - 2022/2023 do governador Renan Filho (MDB) pegou de surpresa lideranças sindicais do Estado. Saúde e segurança são as áreas mais afetadas depois de terem sido as principais alardeadas pelo próprio governo nos anos anteriores. No “apagar das luzes”, o discurso é outro e toma por base a realidade fiscal do próximo biênio e o cenário de crise do País, que pode ser de recessão.
A discussão sobre o tema não começou. O susto, porém, já tomou conta das entidades, porque já foi publicado no Diário Oficial. E como o governo ainda tem maioria na Casa, nada impede que o modelo “rolo compressor” volte a ser acionado para atropelar as discussões e atender às ordens do Palácio República dos Palmares.
Procurados pela Gazeta, parlamentares da oposição e independentes pediram tempo para estudar o texto e acompanharem internamente a evolução do debate. A matéria nem sequer foi lida em plenário para seguir para as comissões temáticas.
A principal dúvida, por exemplo, é saber se, nas entrelinhas a “crise” citada esconde na verdade o endividamento futuro feito pelo próprio governo, com instituições nacionais e internacionais e aprovado pelo próprio parlamento. Outro detalhe que interessa é saber como o Estado será deixado para o sucessor de Renan Filho.
O que causou espanto aos servidores das áreas atingidas é a incoerência do governador. Isso porque, meses atrás, Renan Filho voltou a alardear o equilíbrio fiscal e até a existência de R$ 5 bilhões em caixa, o que daria para honrar diversos compromissos, inclusive com as próprias categorias.
"O governo divulga que tem 5 ou 7 bilhões em caixa e que faz a gestão muito bem e aí manda para a ALE uma redução para a Segurança Pública, o que assustou e acendeu a luz de alerta”, afirma o presidente do Sindicato dos Policiais Civil de Alagoas, Ricardo Nazário. Ele propõe uma ampla audiência pública para que todos os dados fossem liberados para a sociedade. "É triste ver partir do governo a retirada de investimentos na Segurança e na Saúde. Já vimos várias vezes ele defender essas áreas da Segurança, Educação e Saúde. Ou seja, dos três pilares, agora, dois ele está quebrando. Isso é preocupante", concluiu o sindicalista.
Durante a semana que passou, a Gazeta já havia identificado que a revisão proposta afeta o Corpo de Bombeiros, que contaria com seis unidades e, agora, terá apenas uma. A PM também não escapará dos cortes, já que, dos 116 quartéis antes previstos, pela nova proposta apenas sete devem ser erguidos.
O presidente da Associação dos Praças, Wagner Simas, acha que, na reta final do governo, o que ele fez foi “propaganda enganosa”. Isso porque foram muitas as divulgações, entrevistas com metas faraônicas e, na verdade, o que vai deixar muitos investimentos pelo caminho e outros que não saíram pelo papel.
"No âmbito da segurança pública, a única coisa que o governador cumpriu foi a realização dos concursos públicos, mas deixa a desejar na valorização e nos espaços físicos das corporações”.
A presença de tantos cortes não foi vista pelo líder do governo na ALE, deputado Sílvio Camelo (PV), como algo prejudicial ao povo alagoano. Conforme explicou, trata-se de uma forma de o governo evitar desequilíbrios econômicos futuros.