Política
T�o tenta manter suspense, mas j� fala como candidato
MARCOS RODRIGUES O senador Teotonio Vilela Filho (PSDB) disse ontem, em seu escritório político de Maceió, após chegar de São Paulo, que só na próxima segunda-feira anunciará se é candidato a prefeito de Maceió. Mas falou à GAZETA como se a decisão fosse mesmo a de entrar na disputa. Téo falou de projetos para a cidade, de espaço político para viabilizar uma possível futura administração sua e fez a crítica mais veemente, desde que vem ameaçando romper sua aliança com o PSB. ?Eu tenho absoluta consciência do meu preparo, maturidade, experiência para ser um prefeito dos melhores de Maceió, pelo trânsito que tenho em Brasília, pela capacidade de agregar quadros competentes, de formular projetos criativos e que realmente tornem a cidade comparável com as outras. Porque, hoje, vergonhosamente, nós somos a pior capital do Nordeste?, afirmou o senador. Afirmando conhecer os problemas da capital, ele refletiu sobre a questão do desemprego. Ainda falando na condicional, sobre sua candidatura, disse que precisa analisar se ajuda mais ?como senador ou prefeito?. Vilela colocou como condição principal para a sua decisão os impactos que ela terá para os seus eleitores, os ?aspectos familiares, administrativos e os sete anos de Senado?, referindo-se ao tempo que ainda falta para concluir seu terceiro mandato consecutivo. Indagado sobre a ?marca administrativa? que pode deixar na cidade, em quatro anos, caso consiga vencer o pleito, o senador Téo Vilela foi enfático. ?Eu preciso ter absoluta segurança de que a minha gestão será tão forte, eloqüente e tão benéfica para Maceió, que justificará a abdicação do Senado, que o eleitor alagoano me deu com uma confiança que me honra muito, porque fui um dos senadores mais votados do Brasil, proporcionalmente?, disse. Contexto Téo Vilela não escondeu também que a conjuntura nacional favorece e cria condições objetivas para a sua candidatura. O PSDB, disse, está articulado para formar uma frente de oposição. Por isso, explicou, teve que viajar e acompanhar os lances finais do lançamento da candidatura do ex-ministro José Serra, para a Prefeitura de São Paulo. Por ser Maceió a capital do único Estado onde Lula foi derrotado em 2002, é simbólico para os tucanos que Téo entre e vença o pleito. Esse fato foi lembrado por Serra em seu discurso na quinta-feira (13), ao destacar a presença do senador alagoano no ato. ?Do ponto de vista de análise, está correto relacionar esses fatos, já que a eleição está no contexto federal. Mas é isso que me preocupa, porque o governo está completamente inerte. É nesse sentido que repousa a minha indefinição?, explicou Téo. Ele relembrou uma conversa que teve com o governador do Acre, Jorge Viana (PT), onde este lhe revelou que seu Estado recebeu mais verbas na época do governo Fernando Henrique. Estratégia Na semana passada, o senador revelou, através de sua assessoria, que anunciaria sua decisão sobre a disputa municipal. Na última hora, foi chamado a São Paulo por José Serra, que já se decidiu por encarar Marta Suplicy. Acredita-se que, na mesma reunião, seu destino rumo à prefeitura também foi traçado pela cúpula tucana.