Política
Jos� Costa: Sou amigo e leal a Renan, mas n�o sou vassalo
ARNALDO FERREIRA O advogado José Costa ?abriu o jogo? ontem e contou à GAZETA DE ALAGOAS que, ao entregar o cargo de presidente do PMDB ao senador Renan Calheiros, no domingo, assumiu sua pretensão de ser candidato a prefeito de Maceió. Disse que se sentia ?honrado em ser suplente, amigo e leal a Renan?. Mas avisou que não é ?vassalo? do senador. Segundo o Dicionário Aurélio, vassalo significa ?subordinado? ou ?submisso?. Refere-se, também, àquele que, na Idade Média, ?dependia do senhor feudal?. Costa defendeu que o partido tem de voltar à disputa eleitoral. Mostrou sua disposição de ser candidato ao fazer a primeira crítica à administração da prefeita Kátia Born, afirmando que ?Maceió, hoje, mais parece uma grande favela?. Ainda no campo político, cobrou ?reciprocidade? do ?amigo? governador Ronaldo Lessa (PSB). ?Não podemos permitir que Ronaldo nos trate como partido nanico?. Costa faz parte do PMDB histórico. Em 1974, ainda no regime da ditadura militar, elegeu-se deputado federal e se reelegeu três vezes. Em um dos mandatos, foi deputado constituinte. Assumiu o comando do PMDB alagoano em 1999, num momento de crise e intervenção: o ex-presidente Djalma Falcão fora afastado e acusado de praticar irregularidades com o fundo partidário. Renan assumiu o controle do partido e o entregou a Costa. Hoje, o PMDB tem diretórios em 97 dos 102 municípios. ?Estamos com saldo positivo de R$ 45 mil, um fato inédito no partido?, comemorou. Mas destacou que o senador teve forte participação na estruturação do partido. Lembrou, porém, que o partido está fora do processo eleitoral há quatro anos. ?Na eleição de 2002, defendi uma candidatura majoritária. Naquela ocasião, queríamos Renan para o governo?. Em 2000, o PMDB só participou das eleições municipais no interior. Em Maceió, não lançou nenhum candidato. Na eleição de 2002, também não apresentou candidato a deputado estadual e trabalhou para reeleger os irmãos Renan (senador) e Olavo Calheiros, deputado federal. Nestas eleições, Costa apresentou o cardiologista José Wanderley, Olavo Calheiros e o vereador João Luiz como pré- candidatos. ?De repente, ninguém quis entrar no processo. Mas os líderes e militantes acham que o partido deveria ter um candidato a prefeito, aí me senti na obrigação de assumir a candidatura?. Mas o peemedebista reconhece que não vai chegar a lugar algum se não tiver o apoio efetivo dos senadores Renan e Téo Vilela (PSDB). ?Renan, inclusive, tem de ser o condutor do processo?, defende. Sobre a carta que entregou a Renan ao deixar o partido, disse que ?a carta não é de um vassalo, mas de um amigo leal, correto e que cumpre a palavra. Enumerei vários pontos que considero errados e deixei claro que estou aqui para ajudar?. Na segunda-feira, antes de Téo Vilela anunciar que não seria mais candidato a prefeito, Costa protocolou, no Tribunal Regional Eleitoral (TRE), a renúncia à presidência do PMDB. Na crítica ao governador, disse: ?Gosto de Ronaldo Lessa, mas vejo que ele dá ao PMDB e ao PSDB o tratamento que dispensa aos partidos nanicos. O governador não pode esquecer que se reelegeu por causa da ajuda, importantíssima, dos senadores Renan e Téo. Se não fosse isso, o governador hoje seria Fernando Collor de Mello?. E ainda arrematou: ?Lessa não será senador em 2006 se romper a aliança com PMDB e PSDB?.