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Suspeita de fraude pode cancelar t�tulos

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CÉLIO GOMES Uma enxurrada de novos eleitores no município de Messias, a 35 Km de Maceió, faz a Justiça Eleitoral ter fortes suspeitas de um esquema de fraude envolvendo a participação de políticos e cabos eleitorais. Como já aconteceu outras vezes, o golpe está na transferência de domicílio eleitoral de pessoas que, efetivamente, não se mudaram para o município ? apenas querem votar na cidade. Motivo: serão recompensadas por algum candidato que ?combinou? o negócio da transferência de domicílio. Na última quinta-feira, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) recebeu de um grupo de partidos políticos de Messias pedido de ?correição nos títulos eleitorais emitidos no município, no período de 2000 até este ano?. Antes, representantes do PPS, PT, PDT, PMDB, PRTB e Prona se reuniram com o presidente do TRE, José Hollanda Ferreira, para denunciar as supostas distorções no número de eleitores de Messias. Foi o próprio presidente do tribunal que orientou os partidos a formalizar o pedido de correição dos títulos. Números suspeitos Segundo dados do IBGE, de 2000 a maio deste ano a população de Messias ganhou 439 novos habitantes (crescimento de 3,66%). Já o número de eleitores subiu 1.499, ou 19,3%, segundo o Cartório Eleitoral de Murici, que também é responsável pelos processos de Branquinha e Messias. Quando os números são absolutos, a clareza da distorção fica maior. Messias tem aproximadamente 12 mil e 500 habitantes para quase 10 mil eleitores ? precisamente 9.258. Assim, chega-se à estatística bem acima da média de 74,48% de eleitores. ?Temos informações de gente do Benedito Bentes, Clima Bom, Rio Largo, Flexeiras e até de Palmares, em Pernambuco, que fez a transferência de título para Messias?, disse o presidente do PT municipal, José Carlos dos Santos. Segundo ele, na documentação preenchida pelos interessados em votar em Messias, os endereços fornecidos quase sempre são de fazendas que nem existem. A ação dos partidos no TRE pede, afinal, que seja feita a correição dos títulos e o cancelamento das transferências ilegais. Solicita, ainda, que o tribunal determine ao Cartório de Murici que forneça a relação nominal atualizada de todos os eleitores filiados aos partidos políticos no município. Fraude comprovada A prática de fraude na transferência de títulos eleitorais já foi comprovada, há cerca de dois meses, pelo próprio promotor público do Cartório de Murici, Napoleão Franco. Na época, ele chegou a determinar a prisão de pessoas no momento em que elas estavam no cartório para realizar a transferência. ?Isso realmente existe e a gente tenta confirmar principalmente o endereço fornecido, que nesses casos era falso?, disse o promotor no período das prisões. A Polícia Federal também já prendeu eleitores envolvidos no mesmo golpe, em cidades do Litoral Norte. Os casos apontam para a consistência da suspeita de que em Messias ? mas não somente lá ? esse tipo de fraude eleitoral ainda é comum em Alagoas. Este mês terminou o prazo para mudança de domicílio eleitoral e solicitação de novos títulos. O TRE ainda não tem um levantamento completo de quantos eleitores, oficialmente, estarão aptos a votar na eleição de outubro deste ano.

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