Política
TRE monta mapa da tens�o eleitoral em AL
ARNALDO FERREIRA O Tribunal Regional Eleitoral (TRE/AL), a Polícia Federal (PF) e os estrategistas operacionais do Exército em Alagoas, que serão mobilizados para ajudar no combate à violência nas eleições municipais de outubro, já têm o mapa dos pontos críticos e dos municípios dominados por políticos e supostas lideranças que costumam usar métodos violentos, com jagunços que fazem provocações e andam armados. Os municípios de Batalha, Canapi, Inhapi, Mata Grande, Minador do Negrão, Cacimbinhas, Porto Calvo, Penedo, São Luiz do Quitunde e parte do litoral sul do Estado são monitorados, discretamente, pelas autoridades federais e estaduais que acompanham a movimentação de candidatos e de supostos patrocinadores de crimes eleitorais. Além desses municípios, onde há, segundo o TRE, ameaça de violência política, outros do Sertão, Agreste e Zona da Mata chamam a atenção, principalmente do TRE, que aguarda o período final das convenções (de 10 a 30 de junho) para ver como se comportam os partidos e candidatos que vão disputar vagas de prefeito e vereador. ?Municípios do Sertão nos preocupam bastante?, admitiu o presidente do Tribunal Eleitoral, desembargador José Fernandes de Hollanda Ferreira. A GAZETA DE ALAGOAS visitou algumas cidades, manteve contatos telefônicos com líderes políticos e religiosos e constatou que, antes mesmo de se definirem candidaturas e coligações, o medo já domina os pontos considerados críticos pelas autoridades. No Sertão, por exemplo, a maioria dos 9.487 eleitores que votam em 29 seções eleitorais do município de Batalha (distante 176 km de Maceió) tem medo de falar das preferências políticas. Batalha tem cinco pré-candidatos a prefeito: Quinca Douca (PSB), Paulo Dantas (PMDB), Aloísio Rodrigues de Melo (PDT), Adelmo Rodrigues de Melo ? mais conhecido como ?Neguinho Boiadeiro? (PHS) ? e o prefeito e candidato à reeleição, Hermani Pereira de Melo, conhecido como ?Minha? (PTC). Todos reforçaram a segurança pessoal. ?A eleição em Batalha promete ser bem disputada. Eu temo pela violência e defendo o reforço da segurança na cidade urgentemente?, disse o prefeito. Padre do município há 23 anos, Josefel Mendes considera um ?exagero? tantos candidatos numa cidade tão pequena e pobre. Ele propõe que os précandidatos reúnam-se e definam uma candidatura de consenso. Mas a maioria não dá bola para a proposta do padre. Um dos pré-candidatos, ?Neguinho Boiadeiro?, é acusado na polícia de espancar eleitores. Placa alvejada Em Minador do Negrão (a 168 km da capital), a placa com o nome do município, na entrada da cidade, está perfurada de balas de armas de fogo de diversos calibres. Mais de 80% da população têm o sobrenome Ferro. São eles, através do deputado Cícero Ferro (PMDB) e seu primo José Nilton Cardoso Ferro, que disputam o controle do município. No dia 1o de fevereiro passado, José Nilton Cardoso Ferro, junto com filhos, sobrinho e ?jagunços? da região da Bacia Leiteira, armou uma emboscada contra o deputado, que teve o carro perfurado por mais de 160 tiros. O parlamentar e seu motorista levaram vários tiros, mas conseguiram escapar. Na cidade, a família Ferro costuma dizer: ?Este é um problema da nossa família e ninguém deve se meter?. Minador vive um clima de expectativa para ver quem serão os candidatos a prefeito e a vereador do município, que vão representar os dois lados rivais da mesma família. A polícia reforçou a segurança do deputado e da cidade. Litoral Norte Hoje, os que mais desafiam o Estatuto do Desarmamento e a legislação eleitoral, segundo os moradores e partidos políticos da região, são os pré-candidatos a prefeito do pequeno e pobre município de São Luiz do Quitunde (no Litoral Norte, a 60 km da capital). A maioria dos 18.639 eleitores vive com medo de pistoleiros que perambulam na cidade nos fins de semana. Três pré-candidatos se apresentam em São Luiz: Viviane Cordeiro (PTB) ? sobrinha do atual prefeito João Cordeiro (PMDB) ?, o ex-prefeito de Matriz do Camaragibe, Cícero Cavalcante (PDT) ? que se mudou para São Luiz ? e Fernando Queiroz (PRP), que tenta costurar uma aliança de centro-esquerda para derrotar o que define como ?coronelismo? e ?conservadorismo?. A Justiça Eleitoral ainda mantém proibida a propaganda de candidatos e os comícios. Mas, em São Luiz, quem respeita a determinação? Os carros de som são vistos diariamente circulando na cidade com propaganda dos pré-candidatos. Os ?showmícios? acontecem regularmente nos fins de semana, segundo os moradores que têm medo de se identificar: ?O festival de baixarias já começou?, dizem. As informações de moradores foram confirmadas pelo prefeito da cidade, João Cordeiro, 62. ?A Polícia Federal tem de vir logo, para desarmar muita gente, antes que aconteça uma desgraça. Faz medo andar em São Luiz. Eu não me sinto mais seguro para sair de casa?, admitiu Cordeiro. Ele assume abertamente que apóia a eleição da sobrinha e acusa o ex-prefeito de Matriz, Cícero Cavalcante, de tumultuar o processo eleitoral na cidade. Cavalcante, por sua vez, ataca a administração atual de São Luiz. Sua esposa, Josenalva dos Santos, não esconde a preocupação com a segurança do marido. ?Os candidatos estão conscientes de sua responsabilidade. Por isso, acho que tudo vai acabar bem. Mas estou preocupada?. Paulo Cerqueira (presidente do PRP, coordenador da campanha e irmão do pré-candidato Fernando Cerqueira) disse que ?João Cordeiro e Cícero Cavalcante transformaram a eleição numa guerra. A gente teme que aconteça a qualquer momento um confronto armado entre os dois?. O presidente do PTdoB local, Geraldo Siqueira, diz que seu município perdeu a fama de cidade pacata e cobra que o senador Renan Calheiros (PMDB) faça valer na região o seu projeto do Estatuto do Desarmamento. Ainda no Litoral Norte, em Porto Calvo (98 km de Maceió), a população pede ajuda da Polícia Federal para conter os ânimos dos seis pré-candidatos: Rachel Moreira Alves (PSB), Wagner Barbosa (PPS), Carlos Barbosa (PSDB), Carlos Eurico Kaika (PMDB), Ormindo Uchôa (PTB) e Antônio Carlos (PL). Já os candidatos garantem que não há clima de violência e consideram que a população está assustada sem motivo. Mas o comerciante José Valentino garante: ?Ainda não foram oficializadas as candidaturas e a briga entre eles já é grande?. O autônomo Valmir Melo disse que a movimentação de compra de votos, distribuição de cestas básicas e ameaças aos eleitores já começou. O radialista Benedito Gomes diz estar convencido de que ?só a Polícia Federal, antes das eleições, e as tropas federais no dia do pleito podem conter a ousadia dos cabos eleitorais que vivem de arruaça na cidade?. Leia mais sobre violência e eleições na página seguinte.