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Delegados s�o suspeitos na guerra da pol�cia

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GILVAN FERREIRA As ações da quadrilha formada por policiais civis vinham sendo investigadas pelo Ministério Público Estadual (MPE) há dois anos ? desde abril de 2002. A GAZETA teve acesso a um relatório do então procuradorgeral de Justiça, Lean Araújo, pedindo providências do governador Ronaldo Lessa e das autoridades da área de segurança pública para apurar as denúncias de envolvimento de delegados e policiais em homicídios e crimes de extermínio. No relatório encaminhado às autoridades do Estado, o procurador Lean Araújo, que se baseou em um documento enviado ao MPE por uma testemunha ? que evitou assinar a denúncia por receio de sofrer represálias ?, considera relevantes as informações sobre a participação de delegados e de policiais civis e militares nos crimes. Em seu relatório, dois anos atrás, o procurador pede ?medidas imediatas para a apuração dos fatos.? Cobranças ?Velado pelo anonimato, portanto sem conhecimento do autor, o que nos impede de agilizar medidas legais inerentes aos fatos expostos no expediente (carta-denúncia), recebido nesta Procuradoria, remetemos a superior consideração de Vossa Excelência. A gravidade da narrativa assume proporções gigantescas da facilidade com a qual os crimes foram perpetrados nesta cidade e no interior do Estado, merecendo imediatas providências com a finalidade de promover rigorosa apuração dos fatos?, recomendou o então chefe do MPE. Lean Araújo, que hoje é corregedor na instituição, também sugeriu que o governo deveria implantar medidas para assegurar a segurança da população alagoana. ?Essas lamentáveis ocorrências, que, se corroboradas, mostrarão os reais propósitos do seu governo de assegurar aos alagoanos paz e tranqüilidade?, defendeu Araújo. As medidas cobradas pelo procurador Lean Araújo só agora, depois de dois anos, começam a apresentar os primeiros resultados. Oito dos nove acusados de envolvimento com a quadrilha tiveram as prisões decretadas pelo juiz da 1ª Vara Criminal, Daniel Accioly, que acatou o pedido do promotor Márcio Roberto Tenório. Nas ações da Polícia Civil contra a guerra entre os policiais, alguns nomes foram confirmados pelas autoridades e vários estão presos. São eles os agentes José Alfredo de Souza Pontes e Robson Rui Gomes de Araújo; o PM Josué Teixeira da Silva; os informantes Ivanildo Pereira e Walkmar dos Santos; os comerciantes Sérgio Murilo de Araújo Leite, o ?Sérgio Ovo?, Vanilo Lima, o bicheiro Plínio Batista e a advogada Cláudia Pontes. O grupo teria a participação de pelo menos mais 17 pessoas. ?Carta-bomba? No seu relato, a testemunha revela a participação da quadrilha em 19 crimes, que teriam sido planejados e executados com a participação de delegados, PMs e agentes da Polícia Civil. Os delegados citados são José de Oliveira Barbosa e Nilson Alcântara. A testemunha revela que a quadrilha tinha entre os seus líderes o policial Valter Dias Santana, assassinado pelo grupo em dois de junho do ano passado, que aparece como autor de vários crimes, entre eles, os assassinatos do sargento Porto. O sargento foi morto no conjunto Salvador Lira, em Maceió. Segundo a testemunha, ?este crime foi para satisfazer o chefe do grupo (Valter Santana). O crime teria acontecido porque o sargento era ex-marido da esposa do policial Valter Santana, Tânia Lima Dias. Participaram deste crime todos os integrantes (da quadrilha), mas quem atirou desta vez foram o sargento Tenório e o soldado Fininho. O cabo Gilmar Galvão dirigiu o carro, enquanto o policial Valter, o soldado Gilvan Galvão e o ex-soldado Miguel davam cobertura?, relata a testemunha. Valter Santana também é citado nas mortes do cabo João Fuba (em Ipioca), do cabo Emanuel (na Feirinha do Tabuleiro). A testemunha revela que o cabo Emanuel, que também faria parte do grupo, teria se desentendido com o policial civil José Berto. Emanuel teria sido executado pelos policiais Valter Santana, Fininho, Gilvan Galvão e o ex-soldado Miguel. ?Morte do Eto? Segundo a carta da testemunha, que demonstra muito conhecimento sobre as ações da quadrilha, a morte de Ebson Vasconcelos, acusado de envolvimento na morte do tributarista Sílvio Vianna, teve participação de integrantes do grupo. ?O crime, este praticado em pleno Centro de Maceió, teve como mandante o coronel Cavalcante. Esta empreitada teve um custo de R$ 8 mil. No dia do crime, o cabo Gilmar Galvão, seu irmão soldado Gilvan Gavão e o ex-PM Miguel foram no presídio Baldomero Cavalcanti, por volta das 9 horas da manhã, para pegar a metade do dinheiro (R$ 4 mil). Depois do crime, voltaram ao presídio Baldomero Cavalcanti, para pegar o restante do dinheiro. Basta checar o livro de entrada de presídio que ficará comprovada esta denúncia. Quem atirou no Ebson foram os soldados Emaneul (Fininho) e o cabo Gilmar Galvão. Os outros deram cobertura aos criminosos?, conta. Delegados acusados Os delegados José Barbosa e Nilson Alcântara também são citados como integrantes do grupo. O delegado Nilson Alcântara é acusado de comandar duas chacinas. ?Chacina de Palmares (PE), crime que eles pegaram uns elementos que estavam presos na Delegacia de Roubos e Furtos e levaram para executar na cidade pernambucana. Foram 07 (sete) elementos mortos. Todos, sem exceção, participaram desta chacina. Quem mandou matar esses elementos foi o delegado Nilson Alcântara, que à época era o delegado titular da Roubos e Furtos?, garantiu a testemunha. Nilson Alcântara também é acusado de envolvimento na chacina de Marechal Deodoro. ?Foram nove elementos mortos a mando do delegado Nilson Alcântara. Todo o grupo participou desta execução, realizada próximo ao Pólo Cloroquímico de Marechal Deodoro. Onde foram encontrados estes corpos existe uma grota que tem mais de 100 corpos, que foram levados para serem executados a mando do delegado Nilson Alcântara?, revelou a testemunha. O delegado Barbosa é citado como autor intelectual da morte do pagodeiro Genaro (Molekes do Samba). ?O Genaro estava mantendo relações íntimas com a amante do delegado Barbosa. Participaram desta trama criminosa todo o grupo. Quem atirou foi o cabo Gilmar Galvão, junto com soldado Emanuel (Fininho). Os carros foram fornecidos pelo delegado Barbosa para o grupo. O ex-soldado Miguel estava na D-20, o soldado Gilvan Galvão ficou no Vectra junto com o sargento Tenório?, detalha a carta. O diretor Central de Polícia, Roberto Lisboa, responsável pelo inquérito, afirmou na sexta-feira que as denúncias citadas na carta enviada ao Ministério Público foram apuradas e os inquéritos foram encaminhados à Justiça. Lisboa não quis comentar a denúncia de participação dos delegados José Barbosa e Nilson Alcântara. Segundo ele, os processos estão na Justiça. ?Essas denúncias (contra os delegados), como as outras, foram encaminhadas para investigações nos seus respectivos distritos e delegacias do interior. Não posso afirmar a atual fase das investigações ou o andamento na Justiça?, esquivou-se Lisboa.

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