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Licen�a parlamentar esconde acordos entre os deputados

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MARCOS RODRIGUES O afastamento de parlamentares da Assembléia Legislativa (ALE) para tratamento de saúde (ou por motivos particulares) está sob suspeita. O assunto ? intocável na ALE ? ganhou notoriedade esta semana com o caso do padre Eraldo, deputado pelo PSB. Ele deveria assumir a vaga do deputado Gilvan Barros (PL), que havia pedido licença por 121 dias ?para tratar de assuntos pessoais?. Ao notar que sua saída não beneficiaria seu aliado, Júnior Leão (PL), Barros recuou e decidiu não mais se afastar. Além de deixar o Legislativo em evidência, o negócio causou constrangimento. É que Eraldo, suplente natural da vaga, ocupava a Secretaria Regional do Sertão. Diante da possibilidade de ir para o parlamento, ele foi exonerado no mesmo dia em que seu sucessor, Reinaldo Falcão, era nomeado. Os dois atos perderam o sentido no mesmo dia. Com isso, Eraldo continua sem ocupar uma cadeira na ALE e oficialmente está fora da secretaria. Como os assessores do governo não sabem como resolver o problema, Falcão continua secretário nomeado, mesmo que, de fato, não responda pela pasta. A confusão na base socialista será resolvida pelo ?cacique? do partido, governador Ronaldo Lessa. Suspeitas Em meio à frustração de não ir para o parlamento, padre Eraldo levantou suspeitas sobre os critérios da ALE para conceder licenças. ?Os afastamentos estão servindo para viabilizar acordos políticos?, diz. As suspeitas do deputado ganharam força com a desistência do deputado Gilvan Barros, que queria beneficiar seu colega de partido. Na Assembléia, atualmente, existem quatro suplentes: Ronaldo Lopes (PSDB), que substitui José Pedro da Aravel (PSDB); Edval Gaia (PSDB), que ocupa o lugar de Francisco Carvalho (PSDB); Antônio Hollanda (PSL) que está na vaga de Cícero Amélio (PMN) e Genilda Leão (PSB), atualmente como suplente do deputado João Beltrão (PMDB). Entre os deputados que estão afastados dois ? João Beltrão e Zé Pedro ? pediram afastamento por motivos de saúde. No caso do deputado Beltrão, ele já está em sua segunda licença de 120 dias. Ao todo, ficará fora do parlamento 240 dias. Ambos continuam recebendo seus salários e respectivas verbas de gabinete. Somados, os valores representam R$ 36 mil. Já os deputados Gervásio Raimundo, Francisco Carvalho e Cícero Amélio se beneficiam apenas politicamente do afastamento, mas não representam custos para a ALE. Mas isso não quer dizer que seus afastamentos também não escondam acordos eleitorais. O vice-presidente da Assembléia Legislativa, Francisco Tenório (PPS), acha normal que um parlamentar se afaste em torno de alianças políticas. ?Acho normal que isso ocorra. Essa é uma casa política, logo, é natural que aconteça, principalmente porque não causa prejuízos para a Casa. Acredito ser um direito do deputado?, declarou Francisco Tenório. Genilda Leão (PSB), que é suplente, não discute o mérito do afastamento, mas sim a qualidade de quem assume. ?Particularmente penso ser mais danoso assumir e não produzir. Eu não falto e quero provocar o debate?, informa.

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