Política
C�pula da Pol�cia Civil reage �s press�es de deputados
CÉLIO GOMES GILVAN FERREIRA A cúpula da Secretaria de Defesa Social vai se reunir hoje para se posicionar oficialmente sobre a pressão de deputados da Assembléia Legislativa (ALE) contra o delegado Dalmo Lima, por ele ter supostamente sugerido a possibilidade de envolvimento de parlamentares com o crime organizado no Estado. O delegado Dalmo Lima, que prestou esclarecimentos na Comissão de Segurança Pública da ALE, na última terça-feira, foi alvo de críticas dos deputados Francisco Tenório (PPS) e Antônio Albuquerque (PL), que reclamaram do trabalho do delegado durante as investigações do seqüestro da estudante Mariane França, filha do empresário José Costa França, o ?Zé Pivete?. Dalmo Lima tentou obter informações dos seqüestradores sobre eventuais relações de políticos alagoanos com criminosos. O deputado Francisco Tenório disse que o delegado teria sido ?malicioso? quando divulgou para a imprensa o teor dos depoimentos dos seqüestradores, que incluiu o questionamento ao grupo criminoso sobre possível envolvimento de políticos com o crime organizado em Alagoas. ?O delegado Dalmo Lima agiu irresponsavelmente e de forma maliciosa, já que sequer incluiu a parte do interrogatório (onde ele questiona se haveria políticos alagoanos envolvidos com o grupo) no depoimento oficial?, disse Tenório. Dalmo Lima não é o primeiro delegado a ser pressionado por parlamentares. No mês passado, o delegado de Coruripe, Marcílio Barenco ? que investiga a participação do policial e vereador Jesse James Viana, assessor do deputado estadual João Beltrão, na morte do vendedor de jóias José Cerqueira e do motorista Majelo da Silva ? recebeu o apoio de mais de 50 delegados e de diretores da Associação de Delegados de Polícia de Alagoas (Adepol), que foram a Coruripe prestar solidariedade ao delegado. Barenco denunciou estar ameaçado de morte e chegou a tirar a família de Alagoas. O diretor da Polícia Civil, delegado Roberto Lisboa, quando compareceu à Assembléia Legislativa, também foi pressionado por deputados, chegando a negar ter revelado nomes de parlamentares supostamente envolvidos em crimes. Luiz Pedro Albuquerque e Tenório também fizeram críticas à divulgação do suposto envolvimento do colega deputado estadual Luiz Pedro (PDT) com integrantes de uma quadrilha de policiais civis apontada como responsável pela ?guerra? interna dentro da Polícia Civil e com o bicheiro Plínio Batista. O nome do deputado Luiz Pedro aparece em relatório com interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça. O parlamentar é citado, em vários trechos de conversas entre integrantes da quadrilha, liderada pelos policiais civis Robson Rui e José Alfredo, o ?Alfredinho?. O delegado Mário Jorge Marinho, do Departamento de Polícia do Interior (Depin), disse que, como integrante da cúpula da Secretaria de Defesa Social (SDS), não queria antecipar a posição oficial da pasta, mas disse que ?é clara a necessidade de independência no trabalho dos delegados?. Marinho afirmou que a orientação dos diretores e do secretário de Defesa Social, Robervaldo Davino, é para que os delegados trabalhem dentro da linha da legalidade e rejeitem pressões e interferências em qualquer investigação. ?O delegado tem de trabalhar a partir do fato investigado. Ele tem de manter a independência e, como nós temos sugerido, trabalhar dentro da linha da legalidade. É bom ressaltar que em momento algum o delegado pode se deixar pressionar ou aceitar qualquer interferência política em seu trabalho?, afirmou Mário Jorge Marinho.