Política
Esquema de fraude desvia milh�es em AL
ARNALDO FERREIRA GILVAN FERREIRA Os recentes casos denunciados de desvios de verbas públicas na prefeitura de Rio Largo e, na esfera federal, da ONG Ágora, têm um ponto em comum que está por trás de dez em cada dez casos semelhantes: a praga de notas fiscais fraudulentas. Uma indústria de notas frias e empresas fantasmas causa prejuízos incalculáveis aos órgãos federais, estaduais e à maioria das 102 prefeituras alagoanas. Autoridades e técnicos da Secretaria da Fazenda (Sefaz) e do Tribunal de Contas do Estado (TC-AL) são intimidados e temem a ação de grupos que, segundo esses mesmos técnicos, agem para desviar recursos destinados a programas de governo em Alagoas. Segundo estimativas dos técnicos e auditores ouvidos pela GAZETA, a ação dessas quadrilhas chega a desviar mais de 40% de todos os recursos públicos que deveriam ser aplicados em obras e serviços para a população. Os falsários são especialistas em monitorar, pela Internet, o ?caminhar? da movimentação do dinheiro público, conhecem a burocracia dos órgãos, se dividem por regiões e são ágeis para abordar administradores públicos (prefeitos e secretários, inclusive estaduais) para oferecer notas fiscais que têm o objetivo de ?esquentar? despesas fraudulentas. O negócio consiste em oferecer apoio contábil ?calçado? em notas fiscais com nomes de grandes empresas. Essas grandes empresas também são lesadas, a maioria sem saber. Com ajuda de técnicos públicos que combatem a corrupção, a GAZETA teve acesso a processos que tramitam no Tribunal de Contas da União (TCU), TC-AL e na Secretaria da Fazenda. Nos processos, aparecem endereços de empresas fornecedoras de notas fiscais frias para órgãos públicos. Essas ?firmas? funcionam em supostos escritórios de contabilidade, em salas que ficam a maior parte do tempo vazias nos prédios mais antigos do centro de Maceió e de cidades do interior. ?Funcionam? também em residências de pessoas idosas ou doentes que nem sabem que são ?donas? de empresas que movimentam somas milionárias. O presidente do TC-AL, conselheiro Edval Gaia, confirmou que algumas ?firmas? chamam a atenção por causa de seu envolvimento com prefeituras que caíram na malha fina da fiscalização do tribunal.