Política
Policiais civis impedem solenidade do governo
Os dirigentes do Sindicato dos Policiais Civis (Sindpol) e parte da categoria ocuparam, na manhã de ontem, a frente do Palácio Floriano Peixoto (sede do governo estadual) e impediram a solenidade pública de troca de guarda, que acontece toda segunda-feira a partir das 9 horas. Os manifestantes usaram bombas do tipo rojão de festas juninas, de três tiros, e faixas. Houve princípio de tumulto. Ontem, o homenageado seria o secretário de Comunicação Social, jornalista Joaldo Cavalcante, que substituiria o governador Ronaldo Lessa na solenidade dedicada ao Dia da Imprensa. O clima ficou mais tenso quando os manifestantes souberam que o Batalhão de Operações Especiais (Bope), da PM, fora acionado para retirá-los da porta do Palácio. Um diretor do Sindpol, Carlos Minim, avisou pelo carro de som: ?Se o governador Ronaldo Lessa quer sangue, então vai ter sangue; se quer porrada, então vai ter porrada?. Por volta das 10 horas, a situação ficou mais grave porque os manifestantes interditaram a entrada do Palácio com cadeiras, discutiram com os militares da segurança e exigiam audiência com o governador, que ontem estava em São Paulo. Segundo o presidente do sindicato, Carlos Jorge Rocha, parte da categoria foi para a porta do Palácio porque, há nove meses, tenta negociar com o governo a reposição salarial de 75%. ?No ano passado, a categoria conseguiu um reajuste de 6% relativo às negociações de 2002. Em setembro do ano passado, o governador Ronaldo Lessa prometeu analisar nossa proposta, estudar o impacto na folha, e nas negociações nos garantiu que daria uma posição no final de maio. O mês acabou e não temos nenhuma posição?. O tenente-coronel Mário da Rocha evitou o uso da força militar contra policiais civis e intermediou um encontro com o Secretário Geral de Governo, Wellington Melo. A comissão de seis dirigentes do Sindpol disse ao secretário que não queria discutir com autoridades sem poder de decisão. Wellington Melo explicou que o governador chega hoje e acalmou os manifestantes, prometendo agendar um encontro entre o Sindpol e Lessa até sábado. O sindicato está em estado de greve. Na segunda-feira (07), a categoria realiza assembléia e não descarta a radicalização do movimento. A Secretaria de Comunicação do governo divulgou nota com o título: ?Sindpol faz ato em tom ofensivo e ameaçador?. Na nota, o secretário Joaldo Cavalcante criticou o comportamento dos policiais. ?Houve necessidade de cancelar a solenidade do Dia da Imprensa e pedir desculpas aos presidentes dos sindicatos dos Jornalistas, dos Radialistas, além de empresários da comunicação, porque o Sindpol, que fala tanto em democracia, tolheu o direito à livre manifestação em data tão significativa?. (AF)