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Defesa Civil conhecia riscos: “moradores n�o querem sair”

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O tenente-coronel Jadir Ferreira, comandante do Corpo de Bombeiros, confirmou ontem, durante o anúncio do estado de calamidade, que a Defesa Civil já tinha mapeado as áreas com possibilidades de desmoronamento e deslizamentos de terras da capital. Segundo ele, a favela situada no bairro Ouro Preto é um dos pontos incluídos. Na localidade, oito pessoas de duas famílias foram esmagadas depois da queda de um muro. ?Nosso maior problema não é saber onde vai acontecer, mas sim como não atingir as pessoas?, disse o coronel. ?Isso porque, mesmo comunicadas, as famílias preferem permanecer no local. Estamos vivendo essa realidade agora. Mesmo a área tendo sido atingida e permanecendo o risco iminente, estamos com homens da PM para retirar os moradores. Ainda assim, a resistência é muito grande. Às vezes a pessoa diz que prefere morrer a ter que abandonar suas coisas?. O comandante argumentou que o trabalho da Defesa Civil vem esbarrando em ?aspectos culturais? dos moradores. Ele defendeu um trabalho integrado com outras áreas do governo para ajudar no convencimento. Como o muro caiu Os casebres dos moradores estão localizados abaixo de um muro de contenção do Residencial Jardim do Horto, um condomínio luxuoso. O que era para ser uma linha divisória entre a ?área nobre? e a grota, se transformou numa parede para as frágeis habitações. Numa forma de proteção, cada morador, ao construir seu espaço, escavou a base do paredão. Isso provocou uma instabilidade da base do muro, que, ao receber a pressão da água, cedeu por cima das casas, sem chances de socorro. A água que se acumulou na base do paredão, após 12 horas de chuvas, foi proveniente da parte alta da cidade, da Gruta de Lourdes. Coordenadoria Para o Coronel Jadir Ferreira, o trabalho da Defesa Civil ficará mais ágil e preventivo com a criação da Coordenadoria Municipal de Defesa Civil. Ela substituiria a atual Comissão Municipal. ?Com ela, o trabalho ficaria ainda mais articulado e permanente. Por isso, já temos essa proposta em forma de projeto de lei para ganhar o formato jurídico necessário?, explicou. Solidariedade Ontem, na sede do Corpo de Bombeiros, base de operações da prefeitura, dois voluntários se apresentaram para ajudar no socorro às vítimas. Para o técnico administrativo Tito Juliano, 39, o mais importante é ser solidário. ?Estou aqui porque já presto serviços voluntários. Quando vi as imagens, não tive dúvida de me apresentar?. Ele compareceu com um amigo, o corretor de imóveis Hélio Rocha, que colocou o seu carro à disposição para resgates. (MR/AF)

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