Política
ALAGOAS SE MANTÉM COM A MAIOR TAXA DE ANALFABETISMO DO PAÍS
Segundo dados do IBGE, Estado tem 337 mil pessoas de 14 anos ou mais que não sabem ler nem escrever
Estado com a maior taxa de analfabetismo do País, com 17,1%, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Alagoas tem 337 mil pessoas de 14 anos ou mais que não sabem nem ler nem escrever - 160 mil delas homens, e outras 177 mil do sexo feminino. Outras 963 mil deles nessa mesma faixa etária têm apenas o ensino fundamental incompleto ou equivalente.
Analisando os dados sob a ótica do sexo, a pesquisa revela que a taxa de analfabetismo entre as pessoas com 15 anos ou mais em Alagoas era maior entre os homens (18,1%) em relação às mulheres (16,3%) em 2019. O padrão se repete entre as pessoas com 60 anos ou mais, com uma taxa de 42,6% para os homens e 39,8% para as mulheres.
A pesquisa revela ainda que três em cada cinco adultos não concluíram o ensino médio em Alagoas. Apesar disso, a proporção de pessoas de 25 anos ou mais com esse nível completo de escolaridade cresceu no estado, passando de 30,9% em 2016 para 33,7% em 2018 e 35% em 2019.
O estudo mostrou ainda que o número de pessoas da cor branca com esse nível de escolaridade chegou a 47,1%, sendo bem maior que a de pessoas negras ou pardas, cujo percentual ficou em 31% em Alagoas.
HIGIENE
Em tempos de coronavírus, em que o próprio governo aconselha manter hábitos de higiene como a lavagem das mãos com água e sabão, dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que apenas 60,7% das escolas públicas do Estado oferecem pia ou lavatório em condições de uso e oferecem sabão para a lavagem das mãos. Para se ter uma ideia o que isso representa, na rede privada esse índice é de 97,8%. A pesquisa — que tomou como base o ano de 2019 em tem um intervalo de confiança estimado em 95% — reúne informações sobre o comportamento e os hábitos de adolescentes de 13 a 17 anos, do 7º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio das redes pública e privada de ensino. A falta de higiene nas escolas públicas de Alagoas não se limita apenas aos cuidados com a higiene das mãos. A PeNSE revela ainda que apenas 15,1% das instituições públicas de ensino do Estado informaram ter removido o lixo de seus espaços internos menos de três vezes por semana. A pesquisa também informa que somente 34,8% das escolas públicas alagoanas possuem algum grupo ou comitê responsável por orientar ou coordenar ações ou atividades relacionadas à saúde dos estudantes. Nas escolas públicas sergipanas, por exemplo, esse índice é de 48,1%, e de 55,8% no Ceará. Quando o assunto informatização do ensino, a pesquisa do IBGE revela que 46% das escolas da rede pública de ensino do Estado disseram possuir sala ou laboratório de informática em condições de uso. A taxa é 15 pontos percentuais menor do que a média nacional, e 30,5 pontos menor do a do estado do Ceará, que é de 76,5%. Para o gerente da pesquisa, Marco Andreazzi, é importante destacar que os dados se referem à realidade dos escolares em 2019, antes, portanto, da pandemia de Covid-19 cujas medidas de enfrentamento incluíram isolamento social e distanciamento físico do ambiente escolar. “Tudo isso pode ter sido agravado por consequência da pandemia. Então é importante conhecer o que já vinha acontecendo antes desse período para perceber essa realidade que vai surgir logo após. O fato de a pesquisa ter sido realizada pouco antes da pandemia nos permite ter um ponto de referência para medir os impactos e até orientar as medidas de controle”, conclui.