Política
Padre Eraldo reassume Secretaria do Sert�o
MAIKEL MARQUES Depois de deixar a Secretaria do Sertão e quase virar deputado estadual ? o que acabou não acontecendo em virtude de acordos políticos na Assembléia Legislativa ? o padre Eraldo Cordeiro (PSB) revelou à GAZETA ter recebido novo convite do governador Ronaldo Lessa (PSB) para mais uma vez ocupar a representação política do governo do Estado no Alto Sertão. Disposto a participar de forma direta das eleições de outubro, o pároco de Delmiro Gouveia deve substituir a secretária estadual de Articulação Política, Fátima Borges Omena (PSB), nomeada no último dia 2 para o lugar de Reinaldo Falcão (PSB), que vai disputar a Prefeitura de Água Branca, município onde o padre cogitou lançar candidatura ao cargo de prefeito, mas mudou de idéia a pedido do governador Ronaldo Lessa. Falcão, que aparecia até ontem no Diário Oficial como secretário, só ficaria no cargo se o padre tivesse assumido o mandato da ALE. Detentor de quase 18 mil votos na eleição de 2002, junto ao eleitorado sertanejo, ?sem ter gasto um centavo sequer?, o padre Eraldo Cordeiro (ex-PT e hoje no PSB) é defensor da tese de que a Igreja Católica deve participar de todo e qualquer pleito eleitoral. Convidado para retomar o cargo de secretário regional do Sertão, o padre tem como objetivo primordial articular ações que favoreçam a região, mas não descarta a hipótese de encabeçar chapa majoritária para disputar o comando de sua terra: Água Branca. O bispo ?Projeto nesse sentido seria posto em prática se o bispo [Dom Fernando Iório] e a direção do PSB acharem importante?, explica o padre, que ratifica, no entanto, o apoio à pré-candidatura do ex-secretário de Agricultura Reinaldo de Sá Falcão (PSB), escolhido pelo governo do Estado para disputar a Prefeitura de Água Branca, município distante 301 Km da capital e hoje administrado pelo prefeito José Rodrigues, que também quer manter seu grupo no poder. O padre Eraldo Cordeiro deixou a Secretaria do Sertão há duas semanas para assumir uma vaga na Assembléia Legislativa Estadual (ALE) no lugar do deputado Gilvan Barros (PL), que chegou a pedir licença de 121 dias, mas mudou de idéia e retomou o mandato quando soube que seu substituto não seria o deputado arapiraquense Júnior Leão (PL). Sobre o episódio ? que teria sido articulado por lideranças do Sertão ? o padre prefere não fazer quaisquer comentários. ?Preferi não me envolver, nem tampouco discutir a questão?, explicou. Polêmicas à parte, seu retorno à base política do governo Lessa no Sertão ? região de domínio de velhas oligarquias ? deve acontecer ainda esta semana, quando o padre e o governador sentam à mesa para tratar, por exemplo, da disputa pelo comando de Delmiro Gouveia, município administrado por Luís Carlos Costa (PMDB), o Lula Cabeleira. Apoio No diálogo com o governador, o padre quer uma posição quanto ao apoio que precisa para combater ? e vencer ? Marcos Silva (PMDB), o pré-candidato governista em Delmiro. Segundo o padre, o pré-candidato de oposição é o radialista Marcelo Lima (PDT), cuja candidatura depende não só de liberação da empresa para a qual trabalha, como também de uma série de fatores políticos. Ao reconhecer as dificuldades de fazer política honesta na região sertaneja, o padre diz não ter qualquer problema em conviver com as lideranças contrárias a sua prática política, mas que dão sustentação ao governo do Estado no âmbito institucional. ?As alianças são necessárias e o governo precisa de habilidade para conviver com estas realidades?, diz o padre.