Política
PMs AMEAÇAM BOICOTE À FORÇA-TAREFA E COBRAM VALORIZAÇÃO
Entidades dizem que o movimento independente surgiu de forma natural dentro dos batalhões e reflete na insatisfação da tropa
Aumenta o tom de cobrança e de insatisfação de integrantes da Polícia Militar de Alagoas (PMAL) com o governo Renan Filho. Um exemplo disso é o surgimento do movimento independente dentro da tropa para não adesão ao programa Força-Tarefa - serviço extra executado pelos militares durante as folgas. Desde sua criação, em 2017, o programa paga ao policial R$ 20 por hora trabalhada.
O soldado Ekystaine Siqueira, membro de uma comissão independente, que trata da reformulação do Q.O [Quadro Organizacional] da PMAL, conta que esse movimento independente surgiu de forma natural entre os próprios militares dentro dos batalhões e é um reflexo da insatisfação deles com a forma como o governo tem tratado as demandas da classe.
Siqueira explica que o movimento teve início na passagem de domingo para segunda e que já conta com adesão em vários batalhões do Estado. A previsão é que esse número aumente. Ele registra que esta é uma forma legal de agir, já que a Força-Tarefa é um serviço voluntário. De acordo com ele, o valor defasado é uma das pautas, mas os militares querem respostas, principalmente, sobre a reorganização do Q.O.
O militar explica que alguns militares já tinham se colocado à disposição para o serviço anteriormente, e agora, não podem retirar, mas que, nos próximos dias, a ausência dos policiais na Força-Tarefa já poderá ser sentida, tendo em vista o crescimento do movimento. Não há data para que o boicote pare.
O presidente da Associação de Cabos e Soldados (ACS), sargento Nascimento, conta que também soube do movimento e avalia que a iniciativa demonstra a falta de motivação da tropa. Nascimento pondera que um movimento como esse pode afetar o serviço na rua, tendo em vista que a Força-Tarefa auxilia no trabalho ostensivo. Ele relata que isso é reflexo da preocupação da tropa com as pautas de reivindicação que não têm sido atendidas pelo governo.
No próximo dia 8 deste mês, a tropa deve se reunir em assembleia unificada. O presidente da Associação dos Oficiais Militares de Alagoas (Assomal), tenente-coronel Olegário Paes, conta que essa questão da Força-Tarefa deve entrar na pauta. O oficial pondera que esse é um tema importante para a tropa.
Em relação ao programa, ele se diz que é contra o que chama de “penduricalhos”, pois alerta que ele só beneficia os policiais da ativa e depois de nada vale, quando eles entram na inatividade. Paes questiona ainda a produtividade oriunda do programa, que é executado por policiais em seus dias de folga.
Desde o ano passado, a Assomal tenta viabilizar uma pauta de negociações com o governo Renan Filho. A associação diz que falta empatia pelo próximo por parte do governador Renan Filho. “Ele ainda não sabe o que sente centenas de militares estaduais que são prejudicados pelo atraso de suas promoções, como ocorre com os oficiais da PMAL e no CBMAL, atrasada desde novembro de 2021. Ele também não sabe o malabarismo que as pensionistas de militares estaduais fazem para sobreviver, recebendo seus vencimentos com o valor errado e defasado”, diz nota pública da instituição.
A nota da Assomal diz ainda que Renan Filho não sabe como é o dia a dia dos militares estaduais, “pois ele só conhece as Corporações no dia de Formatura e de inauguração de Cisp.”