Política
Cai o n�vel do ensino e crian�as voltam �s ruas
ARNALDO FERREIRA As crianças e adolescentes dos bairros pobres de Maceió estão abandonando as escolas públicas, reclamam da qualidade de ensino e muitas voltaram a viver como vendedores ambulantes. Eles disputam os pára-brisas de automóveis nos sinais de trânsito ou junto com os pais pedem dinheiro pelas esquinas do centro da capital. Os flagrantes acontecem em qualquer hora do dia. Na sexta-feira, por exemplo, a dona de casa Eliane Ferreira da Silva, 49, estava com cinco dos seis filhos menores de 14 anos no cruzamento das avenidas Antônio Brandão e Thomaz Espíndola com a Ladeira Geraldo Melo, no bairro do Farol. Ela vendia caqui, enquanto os filhos, inclusive a caçula, de seis anos, pediam esmola no sinal. ?Meu marido está desempregado há dois anos; o jeito é enfrentar a situação para não morrer de fome?, contou dona Eliane, ao afirmar que os filhos estão matriculados na Escola Petrônio Viana, que fica no Conjunto Benedito Bentes II, perto de sua casa. ?Meus filhos gostariam de ficar na escola. Mas lá os professores faltam muito. Então, para os meninos não ficarem em casa sem fazer nada, me ajudam, pedem trocados no sinal ?, confessou. Histórias tristes como essa não faltam. O garoto Thiago dos Santos de Almeida, 12, raquítico, sonha freqüentar uma escola para um dia ser ?detetive como nos filmes da televisão?. O seu amigo, Alison Tales da Silva, 13, está matriculado numa escola pública, mas não consegue passar da primeira série do Ensino Fundamental. ?Quase não vou para a escola. Tenho de trabalhar para ajudar a minha família. Se não levar dinheiro para casa a gente não come?, disse o vendedor de tangerina. Comissão Para tentar mudar esta realidade, a partir desta segunda-feira será criada uma comissão com integrantes da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), do Ministério Público Estadual, dos Conselhos Tutelares, das secretarias Estadual e Municipal de Ação Social (Maceió) para estudar a ampliação do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti), na capital. Atualmente, o programa atende mil crianças com jornada ampliada em Maceió. A maioria das crianças é filha de trabalhadores do lixão. A idéia da comissão é ampliar o atendimento do Peti para três mil crianças. Em Alagoas, o Peti garante a jornada ampliada nas escolas públicas para 25 mil crianças de sete a catorze anos. Porém, o programa está ameaçado porque os prefeitos são acusados de desviar recursos federais.