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SEM-TERRA ACUSAM RENAN DE FRUSTRAR REFORMA AGRÁRIA

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A Frente Nacional de Luta Pela Campo e Cidade (FNL), o Movimento Terra e Trabalho e Liberdade (MTL), Movimento de Luta pela Terra (MLT), Liga dos Camponeses Pobres (LCP), Movimento Terra Livre- Campo e Cidade, Comissão Pastoral da Terra (CPT), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), entidades que representam mais de 15 mil trabalhadores do campo e urbanos, há sete anos reivindicam parte dos recursos arrecadados com impostos para o Fecoep para fins de reforma agrária, moradias dignas para as famílias em situação de extrema vulnerabilidade social e o cumprimento das promessas do governador Renan Filho de que faria a maior reforma agrária do País em Alagoas. As entidades querem, por exemplo, o 1% do montante de R$ 1,7 bilhão que o governo arrecadou para o Fecoep até o ano passado, destinado ao Fundo de Terras do Instituto Estadual de Terra (Iteral). O montante, conforme promessa, seria aplicado na aquisição de imóveis rurais, mas, até hoje não existe nenhum centavo em caixa para a reforma agrária. O coordenador nacional do FNL, Marcos Antônio “Marrom” da Silva, disse não entender como o governo gastou mais de R$ 500 milhões do Fecoep em construção de unidades de saúde, obras de infraestrutura, em estrada e não destinou nada para a reforma agrária que prometeu fazer. Marrom disse que desde o governo Teotonio Vilela Filho (PSDB) até agora não existe reforma agrária no Estado. “São 17 anos de tensão no campo, promessas e concretamente nada. No caso do governo Renan Filho, houve a promessa de comprar as terras da massa falida do Grupo João Lira. Até agora, mais frustração”. Os movimentos agrários entregaram ao governador e aos cinco secretários de Estado que passaram pela pasta nos últimos sete anos diversos projetos pequenos de financiamento que variavam de R$ 50 mil a R$ 150 mil para investimento em áreas de produção, construção de casas de farinhas, aquisição de equipamentos, investimentos técnicos, bancos de sementes... Os recursos pleiteados também sairiam do Fecoep. Até o momento os movimentos agrários aguardam respostas. “O dinheiro do Fundo é para isso. A gente não quer dinheiro como esmola e nem cestas básicas. O que se quer é o previsto em lei: os recursos do Fundo financiando atividades de produtores rurais pobres”, disse um dos líderes do assentamento Eldorado dos Carajás, em Branquinha.

DECEPÇÃO

Há 15 dias, cinco movimentos agrários ocuparam praças, a porta do Tribunal de Justiça e do Palácio do Governo e entregaram pautas de reivindicações. Entre os itens principais estavam as terras das usinas falidas Laginha e Guaxuma, recursos para a produção de famílias assentadas. Em 16 anos de reivindicações, a FNL conseguiu para o programa “quintal produtivo’’ do assentamento “Rua Nova”, no município de Jequiá da Praia, recursos da ordem de R$ 50 mil para dez famílias. “No começo do governo, em 2015, muitas promessas animadoras, chegamos ao final de dois mandatos do governo sem nada concretizado e com muita decepção”, desabafa Marrom. “O governador Renan prometeu fazer diferente. Infelizmente, mais de 15 mil famílias acampadas de 10 movimentos agrários permanecem na mesma situação”. O apoio que os agricultores familiares querem, na verdade sãos as sementes (milho, feijão, sorgo, algodão, amendoim) no tempo certo, ou seja, na segunda quinzena de março, porque a do ano passado chegou em julho e agosto, no final do período chuvoso e de plantio; aquisição da produção para a merenda escolar e entidades filantrópicas assistidas pelo governo e prefeituras, assistência técnica, apoio para escoar a produção para as feiras livres e reforma agrária.

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