Política
Presidenta do Ipaseal diz que se escondeu para evitar pris�o
MARCOS RODRIGUES A presidenta do Instituto de Previdência dos Servidores de Alagoas (Ipaseal), Tereza Laranjeira, admitiu ontem que se manteve escondida para evitar sua prisão, decretada pelo juiz da 3a Vara da Fazenda Pública Estadual, Manoel Cavalcante Lima Neto. Ontem, por mais um dia, ela evitou aparecer na sede do órgão para não ser submetida ao que considerou ?constrangimento?. ?Ainda estou me mantendo escondida para evitar ser presa e submetida a um constrangimento desses. Esse tipo de coisa abala bastante, principalmente a nossa família. Essa é a quarta vez que tenho a prisão decretada?, desabafou Laranjeira. Suas declarações foram dadas por telefone, durante entrevista ao programa Ministério do Povo, da RÁDIO GAZETA AM. Ela teve sua prisão decretada no mesmo dia (terça, 8) em que saiu o mandado de prisão do secretário Valter Oliveira. Ele, assim como a presidenta do Ipaseal, teria descumprido uma liminar da Justiça que impedia o desconto de 11% nos vencimentos de aposentados e pensionistas do Estado. A ação judicial que apontava a inconstitucionalidade da cobrança foi impetrada pelo Sindicato dos Fiscais de Renda (Sindifisco). Acordo Depois de 19 horas detido, o secretário Oliveira deixou a sede do Tático Integrado da Polícia Civil (Tigre) por conta de um acordo firmado pela Procuradoria Geral do Estado e o juiz Lima Neto. Pela proposta, Oliveira acataria a liminar do magistrado, que impede novo desconto para aposentados e pensionistas, mas pagaria multa de R$ 1 mil pelos dois dias de descumprimento da liminar. É nesse contexto que Tereza Laranjeira também foi beneficiada. A ela caberia o compromisso de pagar a multa de R$ 500 e ficar livre da prisão. Foragida Até ontem, Tereza Laranjeira era dada como foragida da Justiça. Pela manhã, quando concedeu a entrevista, ela disse que preferiu não comparecer ao trabalho porque o valor ainda não havia sido pago, o que aconteceu à tarde. ?Não fui ao trabalho porque enquanto a multa, que é pessoal, não for paga, ainda corro o risco de ser detida?, admitiu ela, torcendo para que esse ?embaraço? acabe logo. ?Não posso discutir o entendimento da Justiça, mas acho que esse problema administrativo deveria ser resolvido com mais diálogo, sem a necessidade de pedir a prisão de ninguém. Até entendo que minha função administrativa pode me colocar nisso, mas é muito ruim isso tudo, porque nos expõe perante a família. As pessoas ficam preocupadas?, lamentou Tereza Laranjeira. Indagada sobre a possibilidade de devolução a aposentados e pensionistas do desconto que foi efetuado no mês de abril, no total de R$ 500 mil, ela manteve o que disse ao secretário Valter Oliveira. ?O que está em discussão é o corte nos vencimentos do mês de maio?, manteve Laranjeira. Nacional O desconto de 11% que está em discussão no Estado é um problema que atinge todo o país. A proposta foi aprovada pelo Congresso Nacional para atingir os pensionistas e aposentados que recebem acima de R$ 2.400,00. Depois que os deputados e senadores aprovaram a proposta ? parte integrante da reforma da Previdência ? o desconto passou a ser contestado no Supremo Tribunal Federal (STF). O julgamento dos ministros ainda não acabou. Até lá, portanto, prevalece a decisão do Congresso Nacional.