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Ex-amigo diz que tem muito ainda a revelar sobre prefeito

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Os esquemas supostamente montados por falsas empresas fornecedoras de notas fiscais inidôneas para gestores públicos envolvidos com improbidade administrativa (desvio de dinheiro público para enriquecimento ilícito) acontece em conhecidos hotéis de Maceió. Quem dá a pista é o ex-secretário de Administração de Palmeira dos Índios, Pedro Oliveira. Em documento que entregou ao presidente do Tribunal de Contas de Alagoas (TC/AL), conselheiro Edval Gaia, o ex-secretário afirma que o prefeito de Palmeira, Albérico Cordeiro, ficou pessoalmente encarregado de ?resolver? os problemas das notas fiscais frias para cobrir buracos na contabilidade. No documento, Pedro Oliveira forneceu, inclusive, o nome do hotel, em Maceió, onde o prefeito teria contratado pessoas para conseguir as notas fiscais frias. ?Na oportunidade, me pronunciei contra a operação e tenho testemunha disso?, disse Oliveira ao presidente do TC e em entrevista à imprensa. Além da Secretaria de Administração, Pedro Oliveira também exerceu o cargo de secretário de Saúde do Município. Seu último posto foi a coordenação política do prefeito. A antiga amizade íntima dos dois agora se resume à troca de acusações graves que confirmam o resultado da fiscalização do Tribunal de Contas, que detectou irregularidades em Palmeira. O ex-secretário sustenta que havia desvio de recursos federais e atesta que esta não foi a primeira irregularidade detectada pela fiscalização da Corte de Contas. ?Nas fiscalizações de 2002 e 2003, as inspeções do TC encontraram inúmeras irregularidades na contabilidade. O próprio prefeito reuniu os técnicos do tribunal que faziam a fiscalização e confessou vários erros cometidos, inclusive desvio de verbas federais?, lembra o ex-colaborador e ex-amigo Oliveira. Sobre a acusação de perseguição política que estaria sendo articulada pelo presidente do TC, Edval Gaia, novamente Pedro Oliveira menciona irregularidades na administração municipal: ?Ninguém está perseguindo o prefeito e nem tenta desmoralizá-lo. Ele buscou as conseqüências de hoje em sua administração. As compras sem licitação, os pagamentos indevidos feitos com dinheiro público, os cheques sem fundos, os desvios no Fundef, tudo tinha o aval do prefeito. Sua determinação era no sentido de praticar as irregularidades, porque se achava imune à lei e aos órgãos da fiscalização?, diz Pedro Oliveira. Ao reconhecer os 30 anos de vida pública e os cinco mandatos de deputado federal do ex-amigo, Oliveira lamentou que ?ele não estivesse preparado para o exercício do mandato executivo?. Pedro Oliveira demostrou conhecer mais detalhes das irregularidades. ?Teria muita história para contar, porém, vou me resguardar para o momento oportuno, que vai acontecer brevemente. Estou tomando as providências legais e cabíveis para processar o prefeito, pelo envolvimento de meu nome em suas mazelas?. Defesa O prefeito, por intermédio de seu advogado, Manoel Gonzaga da Silva, encaminhou à Justiça da comarca de Palmeira dos Índios uma autorização para a quebra de seus sigilos bancário e telefônico, e recomenda, ainda, uma ?devassa? em suas declarações de bens. ?Não tenho nada para esconder?, afirma Cordeiro, que tentará um segundo mandato na eleição de outubro. O prefeito e seus assessores acusaram o ex-secretário de Administração de ter feito as ?trapalhadas e a bagunça? nos procedimentos da contabilidade das contas. ?O Pedro Oliveira garantia que resolveria todos os problemas no Tribunal de Contas. Assegurava que nada passava pelo TC sem o crivo dele e, no entanto, nos meteu nesta enrascada?, disseram o prefeito e seus assessores. O presidente do Tribunal de Contas, Edval Gaia, disse estranhar as declarações do prefeito. ?O senhor Pedro Oliveira é funcionário aposentado deste tribunal. Não me consta que durante a minha administração ele tenha vindo a este tribunal interceder pela aprovação ou rejeição das contas de qualquer prefeitura?. Edval Gaia também assegurou que o ?servidor aposentado Pedro Oliveira não tem competência para exercer qualquer tipo de ingerência no TC?. O presidente negou perseguição política contra o prefeito. ?Os procedimentos adotados pela equipe de fiscalização em Palmeira foram os mesmos adotados na fiscalização de qualquer município?. Segundo Edval Gaia, o prefeito de Palmeira tem 15 dias para apresentar a defesa. Se precisar, poderá pedir a prorrogação por mais 15 dias para concluir a defesa. (AF)

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