Política
PMDB, PSDB, PFL montam opera��o Tr�ia em Macei�
ARNALDO FERREIRA Está em curso uma operação política para as eleições municipais de Maceió, similar ao episódio do ?Cavalo de Tróia?. Como aconteceu na mitologia grega, a articulação é arquitetada através de um bloco de forças que está dentro das bases políticas dos governos Ronaldo Lessa e Kátia Born (ambos do PSB). Agora, essas forças já conhecem os pontos fracos do pré-candidato do PSB, o prefeito em exercício Alberto Sexta-Feira, e se preparam para o ataque com a construção da chapa majoritária com o PSDB, PMDB e PFL encabeçando o projeto, que envolve outros partidos fortes. A articulação é conduzida sem chamar a atenção nem das pré-candidaturas de oposição. Além das grandes siglas, as articulações envolvem os chamados partidos emergentes que se mostravam, até agora, desinteressados em participar do processo eleitoral com uma chapa majoritária. Partidos A GAZETA DE ALAGOAS apurou que a ?Operação Tróia? ? como alguns chamam ? envolve o PSDB do senador Teotonio Vilela Filho; o PMDB hoje presidido pelo líder do partido no Senado, Renan Calheiros; o PP, presidido pelo deputado federal Benedito de Lyra, e o PFL do deputado federal José Thomaz Nonô. Esses partidos tentam atrair para o bloco o PL do deputado federal João Caldas, que tem se insinuado para o PT, que ainda o despreza. E ainda o PTB do deputado João Lyra, que muitos apostam que desistirá da campanha majoritária antes da convenção marcada para o próximo dia 30, e assim escapará do desgaste dos debates e críticas durante a campanha eleitoral. Sinal tucano O sinal verde, de que os partidos precisavam para a construção deste megaprojeto político que pode abalar as candidaturas que lideram as pesquisas oficiosas e isolar o candidato do governo, Alberto SextaFeira, foi dado pelo suplente de senador pelo PSDB, empresário João Tenório. ?Não tem sentido partidos fortes, como o PSDB e o PMDB, não se unirem para apresentar uma chapa majoritária nas eleições de Maceió?, avaliou Tenório, quando participava de um programa na TV Pajuçara. O comentário foi rapidamente assimilado pelos grandes partidos envolvidos, que aceleraram a discussão. O presidente do PSDB, senador Teotonio Vilela Filho, de Brasília, disse à GAZETA que João Tenório, além de ter razão em seus comentários, acrescentou que os partidos já trabalhavam o projeto de aliança. ?Estamos conversando com o PMDB e outros partidos que querem a construção de uma chapa majoritária?. Segundo o senador Teotonio Vilela, as conversas visam à construção de um bloco de centro-esquerda. Estratégias As conversas estariam bem adiantadas, porque todos os partidos envolvidos orientaram seus dirigentes e militantes, na última sexta-feira, para não levar nada ao conhecimento da opinião pública até o desfecho da aliança, que deve acontecer nos próximos dias. Ao contrário dos partidos que estão com suas pré-candidaturas em curso, os grandes partidos primeiro articulam as estratégias de composição da chapa majoritária. O segundo passo será dado ainda esta semana, com o planejamento de um programa de governo mínimo. Por fim, cada partido vai apresentar seu melhor nome para compor a chapa majoritária. De olho em 2006 O PMDB trabalha a possibilidade de construção de uma frente de centro-esquerda há mais de um ano. O senador Renan Calheiros vem propondo que todos os partidos sentem e discutam um programa conjunto para transformar e desenvolver Maceió. Os partidos não deram bola para o projeto do senador e lançaram suas pré-candidaturas. Até hoje, a maioria aposta que o PMDB não tem interesse eleitoral na eleição da capital. As recentes declarações do próprio Renan levaram os partidos a imaginar que os peemedebistas estariam mais preocupados em fazer bases no interior e ganhar mais espaços na capital para sustentar a candidatura ao governo do Estado, do próprio Renan, em 2006. ?O PMDB só terá candidato a prefeito de Maceió se for preciso?, repete o maior cacique peemedebista, para não chamar a atenção do projeto em curso. A declaração do senador fez a maioria acreditar que o PMDB estaria interessado na vaga de vice na chapa do PSB ou faria uma composição com o PT, como sonha a direção nacional petista. O senador, no entanto, trabalha forte nos bastidores. Ele tem conversado com os partidos bem estruturados e que foram relegados a segundo plano na composição de governo. Esta semana é considerada decisiva para a ?Operação Tróia?. Os partidos envolvidos na articulação devem avaliar as conseqüências do projeto para as eleições de 2006. O PFL do deputado federal José Thomaz Nonô torce para o projeto vingar. O partido estaria para marchar num projeto de aliança com o PTB. Porém, a legenda quer manter suas bases na capital, no interior e sustentar o discurso de oposição aos governos federal e estadual. Para isso, acompanha de perto as denúncias do Ministério Público Estadual contra a contravenção e os jogos de azar. O PFL está pronto para atacar os pontos fracos da administração do governo Lessa e da prefeitura. Os governistas, há algum tempo, perceberam que os chamados grandes partidos têm ficado calados. Notaram, também, que há um projeto de construção de frente partidária. O prefeito Alberto SextaFeira, nesta fase final de composição de alianças, trabalha para ampliar a base de apoio de que dispõe. ?Junto com o governador Ronaldo Lessa, trabalhamos para atrair o PMDB e o PSDB para o nosso bloco?, confessa Sexta-Feira. Na verdade, ele quer evitar um ataque surpresa no campo de batalha.