Desperdício
LABORATÓRIO DE POLO TECNOLÓGICO NUNCA CHEGOU A FUNCIONAR
Secretaria de Ciência e Tecnologia chegou a formalizar convênio e equipamento ficou em regime de comodato com universidade
O polo de Arapiraca e a Secretaria de Ciência e Tecnologia chegaram a formalizar um convênio e o equipamento dos laboratórios da secretaria ficou em regime de comodato com a Uneal. Mesmo assim, o laboratório nunca efetivamente funcionou para auxiliar principalmente os pequenos e micros produtores rurais porque o governo estadual nunca disponibilizou recursos para o custeio e manutenção dos equipamentos.
A Uneal gasta todo o orçamento [R$ 275 mil], ou seja, menos que o orçamento de um campus da Ufal] nos seis campings onde estão matriculados 7 mil universitários,e ainda assim teve que disponibilizar parte deste orçamento para não deixar os investimentos apodrecerem encaixotados. “O gargalo do Polo Agroalimentar do Agreste é a falta de investimento estadual”, admitiu o ex-reitor Clébio Correia.
O Polo Agroalimentar está instalado na zona rural de Arapiraca. O local tem uma usina para produção de Etanol a partir da mandioca. Como o governo estadual não definiu uma política estratégica para o funcionamento do centro de pesquisa da Secretaria de Ciência e Tecnologia, a Uneal mantém no local um centro de formação e aproveita a infraestrutura de auditório, refeitório e salas. O centro de formação atende às atividades da Universidade estadual e aos movimentos sociais, aos pequenos agricultores, cooperativas e outras organizações do campo. Os laboratórios estavam servindo aos projetos de pesquisa dos professores da universidade.
Diante da situação dos Polos Tecnológicos fica claro que Ciência, Tecnologia e Inovação só está como prioridade, apenas, nas propagandas oficiais. Além dos pesquisadores, as críticas contra a falta de prioridade em ciência e tecnologia, partem de todos os lados por falta de um fundo que define recursos permanentes para bancar os projetos dos polos, compra de matéria-prima e manutenção dos equipamentos de pesquisa. Na prática, os recursos da pasta efetivamente não são suficientes, disse um dos pesquisadores. Com isso, os projetos dos polos do interior efetivamente não saíram do papel.
O governo de Alagoas rebateu as acusações de “abandono” da ciência e em outubro do ano passado divulgou que “Alagoas foi o segundo estado do Nordeste que mais investe dinheiro público em ciência e tecnologia”. Os dados são amparados no Índice da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec) de 2021. "Alagoas, por meio da Secretaria da Ciência, da Tecnologia e da Inovação (Secti) e Fundação de Amparo à Pesquisa (Fapeal) tem investido fortemente em C&T, aumentando a competitividade, estimulando o desenvolvimento e posicionado Alagoas entre os Estados que mais investem dinheiro público em C&T no país".
Segundo dados divulgados pelo Índice da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), de 2021, Alagoas é o segundo estado do Nordeste, ficando atrás do Piauí, e o sexto do Brasil. Um dos maiores investimentos do setor público, nessa área, está concentrado no Centro de Inovação do Polo Tecnológico, localizado no bairro do Jaraguá. Com mais de R $18 milhões investidos. O CIPT tem o compromisso de promover o empreendedorismo e a inovação.
É um ambiente para fortalecer as empresas locais e atração de novos empreendimentos de base tecnológica, voltadas para o desenvolvimento de soluções em tecnologia dos setores públicos, privados, universidades e centros de pesquisa. Atualmente, abriga 17 empresas de base tecnológica –incluindo uma multinacional espanhola–, além de parceiros como o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai/AL) e a Fundação Universitária de Desenvolvimento de Extensão e Pesquisa (Fundepes).