Desperdício
DISTORÇÃO ORÇAMENTÁRIA É HISTÓRICA, DIZEM CIENTISTAS
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Os cientistas dos dois setores afirmam que a distorção orçamentária é histórica e ocorre por decisão dos próprios governadores de plantão. Para tentar superar as dificuldades da pasta gestora da política do setor, o então secretário Eduardo Setton peregrinava pelas secretarias que tinham mais recursos em busca de suplementação orçamentária para investimentos. Desta forma, ele conseguiu viabilizar os projetos de criação dos polos de Arapiraca e Batalha. Montou laboratórios de pesquisa, usina e conseguiu vencer alguns entraves burocráticos. O governo Renan prometia mudar esta situação, priorizar o setor e até hoje os pesquisadores esperam a concretização das promessas. Em recente comentário pelas redes sociais, o professor Eduardo Setton destacou que “uma empresa não pode delegar tecnologia ao departamento de T.I ou a outros setores. A tecnologia é uma estratégia de gestão. É um tema que tem de estar na pauta da empresa e dos governos”. Ao explicar, disse que não é possível delegar um ato administrativo porque é um ato estratégico, assim como o governo não pode delegar a sua política de ciência e tecnologia para outra área porque é uma estratégia de Estado. “Enquanto a pauta de ciência e tecnologia não for política de estratégia de Estado vamos ficar enxugando gelo diante das novas tecnologias, sem conseguir desenvolver todos os setores da gestão”, ensina Setton. Os polos tecnológicos do interior, para não ficarem totalmente abandonados, se transformaram em centro de formação acadêmica de entidades do campo e de pesquisa, revelam cientistas, professores e ex-reitores da Universidade Estadual e agricultores que sonham com inovações para melhorar a vocação agrícola local e dos arranjos produtivos. Em Arapiraca, a Uneal cedeu um espaço para a Secretaria de Ciência e Tecnologia desenvolver um centro tecnológico na área de alimentação e da agricultura do semiárido. Efetivamente, o Centro Agroalimentar, depois de engolir R$12 milhões, não consegue avançar, porque o governo estadual não investe no projeto e a Uneal voltou a ocupá-lo. O polo nasceu na gestão do professor Dárcio Brito (2006). O centro custou R$8 milhões do governo federal via Fundo Nacional de Ensino e Pesquisa (Finep), e mais R$4 milhões da contrapartida do estado. Foi fruto da articulação dos arranjos produtivos locais da mandioca, Sebrae e da equipe de pesquisadores da então Fundação Universidade Estadual de Alagoas (Funesa, hoje Uneal).
Os pesquisadores perceberam a necessidade do equipamento para estimular a produção local de mandioca do agreste, particularmente de Arapiraca. Porém, o Centro Agroalimentar não tem esta limitação. Pelo contrário, o ex- reitor da Uneal (gestão 2010/2018 foi vice e depois reitor), professor Clébio Correia de Araújo, confirmou que o centro tem uma estrutura de laboratórios que hoje é um dos melhores do estado para fazer análises de solo, de água e avaliações bioquímicas de alimentos. AF