Desperdício
CONSTRUÇÃO DO POLO TECNOLÓGICO SE ARRASTOU POR DÉCADA
Projeto que custou R$18 milhões até hoje precisa de definições para ser apenas um alojamento de empresas, diz deputado Davi Maia
Com 70% dos espaços ocupados, o Centro de Inovação do Polo Tecnológico é configurado como o maior hub de inovação de Alagoas. Conta com 17 empresas de base tecnológica já instaladas, incluindo multinacionais, além d a presença de parceiros como o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai/AL) e a Fundação Universitária de Desenvolvimento de Extensão e Pesquisa (Fundepes).
É gerido pela Secretaria da Ciência, da Tecnologia e da Inovação (Secti). O ambiente, de acordo com as informações oficiais, fortalece as empresas locais e atrai novos empreendimentos voltados para o desenvolvimento de soluções em tecnologia nos setores público, privado, universidades e centros de pesquisa, contribui diretamente com a melhoria da competitividade das empresas e estimula o desenvolvimento econômico do estado, ao promover o empreendedorismo e a inovação.
CRÍTICAS
A construção do polo tecnológico de Jaraguá se arrastou por uma década por falta de planejamento e perspectiva de aquisição de equipamentos, implantação de redes e um modelo operacional. Ainda assim, o titular da pasta, Silvio Bulhões, integrou a comitiva da Missão China, que foi "vender" Alagoas, mas que especificamente a pasta nunca prestou contas do que apresentou. A área já chegou a ser fiscalizada pelo deputado estadual Davi Maia (DEM), que publicou em suas redes sociais um vídeo mostrando a indefinição do setor.
Segundo o líder da oposição na Assembleia Legislativa, “o polo tecnológico serviria para desenvolver as startups, desenvolver as empresas, a economia criativa, e as empresas 5.0. No entanto, as obras eram para ser entregues em dezembro de 2015”. Ainda de acordo com o deputado, o projeto que custou R$18 milhões até hoje precisa de definições para ser apenas um alojamento de empresas, revelou Davi. O polo hoje tem servido de suporte e vitrine para recém-formados, estagiários nas áreas de tecnologia da informação, e ainda precisa de política para atender as universidades, definir modelo de gestão e atrair investidores, revelam os pesquisadores.
Soluções defensivas do CRB - 30/07/2026
Datas das quartas de finais da Série D definidas - 30/07/2026
ASA de volta aos treinamentos - 30/07/2026
Empresário é executado com seis tiros ao sair de casa
Homem é executado na frente da esposa e da filha de três meses em Santana do Ipanema
ARAPIRACA E BATALHA
Se o polo da capital tem dificuldade de gestão para sair da fase embrionária e nem de longe segue o modelo de seus idealizadores e executores, os de Arapiraca e de Batalha são exemplos de que a ciência e tecnologia não foram prioridades de governos federal, estadual e municipais até agora. O problema persiste também na iniciativa privada. Só se pensa na ciência, tecnologia e na inovação tecnológica quando os problemas estão instalados e carecem de soluções em curto prazo. A observação é de um dos maiores pesquisadores do estado e ex-secretário da Ciência e Tecnologia de Alagoas [2010 e 2014], Eduardo Setton, que cobra estratégia de Estado para a ciência e tecnologia. Como a maioria dos pesquisadores, Setton, que foi um dos executores dos projetos de criação dos polos tecnológicos de Maceió, Arapiraca e Batalha, também não escondeu a frustração pela falta de políticas estratégicas para os polos. “A pandemia do coronavírus nos mostra, por exemplo, que investimento em ciência e tecnologia deve estar previsto como política de estado, com investimentos contínuo, com inovação e estratégia”.
ANÁLISE
Em 2020, Eduardo Setton fez uma análise de dados para o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia Estatística) e constatou que quem deu suporte a ciência e tecnologia nos últimos anos no nosso estado foi a Fundação de Amparo à Pesquisa de Alagoas (Fapeal). A autarquia é ligada à Secretaria de Ciência e Tecnologia e teve condições de obter um aporte considerável de recursos bem maior que o orçamento da Secretaria.