Política
Disputa interna adia nomes da CPI das notas frias na ALE
MARCOS RODRIGUES A disputa interna no chamado bloco da maioria, que envolve 16 deputados governistas, provocou, mais uma vez, o adiamento da indicação dos dois últimos integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que investigará o derrame de notas fiscais ?frias?, em todo o Estado. Ontem o líder do bloco, deputado Isnaldo Bulhões (sem partido) voltou a falar do clima de disputa, mas não antecipou os dois nomes que indicará. ?Todos estão querendo, mas o nosso maior problema, no momento, é o cronograma dos trabalhos. Além dos feriados que teremos, existem as convenções de partidos [para as eleições municipais] e o próprio recesso parlamentar, com início marcado para o fim deste mês?, lembrou Isnaldo. Ele informou, ainda, que a indicação dos parlamentares acontecerá dentro do prazo regimental. Ou seja, a CPI será instalada na Assembléia Legislativa. Ontem, em mais uma sessão, o pleno do Tribunal de Contas julgou as contas do exercício 2002 da Prefeitura de Matriz do Camaragibe. As irregularidades contábeis se repetem. Segundo os levantamentos, também existem notas fiscais frias incluídas nos balancetes. Este caso só reforça a necessidade de uma investigação detalhada sobre o problema. Mas é justamente essa a questão. Por causa do caráter de ?devassa? que cerca as investigações, politicamente a CPI não interessa à maioria dos parlamentares, já que suas bases políticas estão exatamente no interior. Outros, entretanto, querem fazer parte do grupo de investigação para garantir a defesa de seus aliados políticos. Comando Mas a disputa principal envolvendo a CPI é pelo seu comando. O autor do pedido de investigação, deputado Paulo Fernando dos Santos, o Paulão (PT), disse ontem que tentará a presidência ou a relatoria. ?Sei que posso perder na correlação de forças, mas estarei na briga pelo comando?, disse o parlamentar, que teme que os trabalhos emperrem nos interesses partidários. Como foi o autor do pedido, Paulão é membro nato da comissão. Além dele, já se apresentaram os deputados Isnaldo Bulhões, que tenta a presidência, e Antônio Albuquerque (PL), que quer garantir sua indicação como relator.