Fontes renováveis
GOVERNO DESPREZA PESQUISA DE NOVAS MATRIZES ENERGÉTICAS
Cientistas, economistas, parlamentares e ambientalistas lamentam a falta de investimentos em novas fontes renováveis de energia
A maioria dos Estados do Nordeste avança e desenvolve com sucesso novas matrizes energéticas com fontes renováveis. Os bons ventos da região, por exemplo, produzem 80% da energia eólica gerada em todo País. O Estado líder é o Rio Grande do Norte, que tem capacidade de 4.066 MW e 151 usinas. A Bahia aparece em seguida, com 3.951 MW e 153 usinas.
Os estados vizinhos de Pernambuco, Sergipe e Paraíba investem parcelas dos orçamentos estaduais nas pesquisas que buscam fontes alternativas de energia. Alagoas é a exceção. O governo Renan Filho (MDB) é o único que não investiu no desenvolvimento de novas matrizes energéticas nos últimos sete anos.
As pesquisas que eram desenvolvidas pela Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação pararam. A Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico e Turismo (Sedetur) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal) investem na fotovoltaica, por pressão do mercado em franco aquecimento.
Por outro lado, as fontes e recursos disponíveis são desperdiçados. Falta política de Estado com investimento nas pesquisas e desenvolvimento de usinas para energia eólica, da biomassa, do aproveitamento dos aterros sanitários, da mandioca para produção de etanol, e melhorar o aproveitamento bagaço da cana-de-açúcar como fontes alternativas.
Os economistas mais importantes, como o doutor e professor Cícero Péricles, afirmam que a produção de energia renovável é a alternativa de futuro, tanto para o consumo residencial como para o industrial. “A oferta de energia, se possível barata e de qualidade, é uma das pré-condições para atração de investimentos e abertura de novos negócios. No caso alagoano, o rio São Francisco chegou no limite de sua capacidade de produzir mais energia hidroelétrica, e a produção de outras fontes, como o gás natural, e da biomassa, como o etanol, ainda que expressiva em termos regionais, é limitada para nossas necessidades presentes e futuras”.
O caminho para a diversificação da matriz energética, , segundo Péricles, parece ser o da produção de energia solar e eólica, seguindo os exemplos de vários estados nordestinos. “Hoje, o Nordeste lidera a produção de energia renovável a partir destas duas fontes naturais, que já representam mais de 10% do total de energia produzida no País. Como a região produz 80% da energia eólica nacional, as imagens de parques eólicos com seus geradores, e de usinas solares com suas placas fotovoltaicas, passaram a ser difundidas como marcas nordestinas”. A região é muito competitiva na produção das chamadas “energias limpas”, a partir de suas vantagens em ventos fortes e muita luz solar. Nestas duas últimas décadas, estas vantagens comparativas foram somadas ao barateamento das tecnologias e tem atraído grandes investimentos para a construção de parques eólicos e solares. “São investimentos concentrados nos Estados da Bahia, Rio Grande do Norte, Piauí e Ceará. Neste caso, Alagoas, mesmo apesentando condições naturais favoráveis, está muito atrasada, com alguns poucos projetos ainda na fase de prospecção, como o de energia eólica na Serra do Parafuso, em Mata Grande”, disse o economista Cícero Péricles.