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Envolvimento com armas � “cultural”

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MARCOS RODRIGUES O texto integral do Estatuto do Desarmamento, que completa seis meses em vigor, será regulamentado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele ainda esbarra em pontos polêmicos, como um artigo que beneficiaria a fábrica Taurus. Pelo artigo, a importação de armas e de munição para as Forças Armadas estaria proibida, caso existam fabricantes no Brasil. Existe só a Taurus. Além disso, o aspecto cultural do uso de armas ainda é um obstáculo para o êxito de sua implantação. O líder do governo na Assembléia Legislativa, deputado Sérgio Toledo (PSB), é um dos parlamentares que avaliam o Estatuto sob o aspecto cultural. Ele reconhece sua importância social, mas identifica exageros no conceito formado sobre o portador de armamentos. ?Desarmar a população é algo difícil de acontecer em sua totalidade, porque ainda prevalece a cultura da defesa pessoal. E isso passa essencialmente pelo porte de arma. No interior, por exemplo, as pessoas em suas pequenas propriedades usam armas para a sua defesa. Não é para a prática de crimes. Esse tema não pode ser tratado com hipocrisia?, avalia Toledo, que admite ser ?portador de arma para defesa?. Na mesma linha de raciocínio, o deputado Gilvan Barros (PL) também defende a utilização da arma como ?componente da defesa pessoal?. ?Avalio que o cidadão que se dá ao trabalho de registrar sua arma, esse não tem o mínimo interesse de matar ninguém, mas sim de se precaver da violência, que está muito grande. Um exemplo é uma pessoa que viaja à noite. Ela possui arma para uma extrema necessidade?, explica. Ele considera que o projeto só dará certo se conseguir primeiro desarmar os ?bandidos?. ?Se não for assim, o Estatuto não tem condições de conter o desarmamento?, considera Barros. Sem seguranças O deputado Marcos Ferreira (PSB) é simpático à proposta do Estatuto como referência para a implantação da cultura do desarmamento. Ferreira diz que não anda armado, nem com seguranças. ?Naturalmente, minha postura não significa que seja contrário a quem usa seguranças para se defender. É que não tenho adversários políticos, por isso não tenho com que me preocupar nesse aspecto. Mas acho a iniciativa do Estatuto um passo importante?, ponderou o deputado. O deputado Paulo Fernando dos Santos, Paulão (PT), vê o estatuto como um passo importante para a defesa da ?cultura da não-violência?. Ainda assim, ele pondera que a lei representa um passo importante, mas que precisa se consolidar. O petista não anda armado, nem dispõe de seguranças armados. ?Acho que segurança tira a privacidade; além disso, minhas divergências políticas estão no campo das idéias. Quanto a andar sem armas, isso para mim é uma questão de concepção ideológica?, disse o petista. A deputada Genilda Leão (PSB) reconhece a dificuldade de se desarmar a população, mas considera importante que o estatuto conquiste o seu espaço. ?Acho que a lei é uma referência, mas são as pessoas que devem mudar suas atitudes. Alguém que passa a andar armado, de uma hora para outra pode ser o juiz da vida ou da morte de outra pessoa. Isso é muito sério?, sustentou Genilda. Sua colega de partido, a deputada Maria José Viana, também considera que o estatuto traz avanços, mas precisa ser aprimorado. Assim como Genilda, Maria José também não adota seguranças, nem anda armada. ?Minha formação não permite isso?. O deputado George Clemente (PSB) é um dos que consideram positiva a proposta. ?A violência é uma das coisas que incomodam, assim como o desemprego. Por isso, entendo que o Estatuto é a porta para a diminuição da violência?, afirmou o deputado, que também não anda armado nem com seguranças, segundo disse. Do grupo daqueles que dizem não andar armados, o deputado Fernando Gaia Duarte (PPS) considera o Estatuto essencial e vê como um benefício para a sociedade. ?Vivo distante do mundo da violência. Trabalho e luto para a vida, por conta de minha formação médica. Portanto, recebo o Estatuto com alegria. Nunca tive problemas relacionados com violência. Sendo assim, só posso enxergar benefícios com essa lei?, declarou, por telefone.

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