Política
Igreja diz n�o ter candidatos nem partido
ARNALDO FERREIRA Nenhuma pessoa que esteja disputando cargos de prefeito ou vereador nas eleições municipais de outubro, em qualquer um dos 102 municípios, está autorizada a se auto-intitular ?o candidato da Igreja Católica?. O alerta para os 1.697.670 eleitores alagoanos é do arcebispo de Maceió, dom José Carlos Melo. Ele também criticou padres que estejam interessados em disputar cargos eletivos. Dom José segue a tese da maioria dos arcebispos defensores de que ?lugar de padre é na Igreja. A política partidária é atribuição de leigos?. Para evitar que seu ?rebanho? vote em ?falsos profetas?, a Arquidiocese de Maceió, pela terceira vez, edita a cartilha ?Eleições, para que servem??. O objetivo é, segundo o arcebispo, contribuir com a formação política da cidadania. Numa linguagem simples e pedagógica, a cartilha fala de eleições, política, cidadania, do ato de votar, do livre direito de escolha, do dinheiro público, dos cargos de prefeito e vereador, de corrupção eleitoral. Com 22 páginas, a cartilha termina com a indagação: ?Em quem devemos votar?? E a própria Igreja recomenda que antes de escolher o candidato, os fiéis devem indagar: ?Qual o passado de cada candidato? De onde ele vem? Já ocupou cargos públicos? Como se portou?? Sugere que o eleitor deve observar qual o grupo político do candidato, como diz o provérbio: ?Diz-me com quem andas, e dir-te-ei quem és...?. A Igreja considera importante analisar o modo como o candidato faz política: ?Gasta demais? Compra votos? Distribui dinheiro? Promete empregos? Usa o nome de Deus ou da Igreja? Usa a fé do povo? Anda com a Bíblia debaixo do braço? Tudo isso, além de profanar o nome de Deus, da Igreja, é pura demagogia?. O arcebispo pede aos eleitores para prestar atenção se quando o candidato promete explica ?direitinho? de onde vai tirar o dinheiro para cumprir as promessas. Nesta primeira etapa, a Secretaria Municipal de Educação financiou 4 mil, dos 4.400 exemplares da cartilha. A distribuição inicial será com adolescentes da rede pública de ensino. ?O nosso interesse é formar a consciência cidadã para evitar a manipulação do voto?, disse o arcebispo. Os 150 padres das dioceses de Alagoas continuarão o trabalho pastoral de agentes formadores da cidadania. A Igreja Católica mantém a opção pelos pobres. Porém, vai evitar orientar sobre política partidária ou ideológica. ?Isto é opção de cada um?, frisou dom José Carlos. ?A Igreja não quer ser um partido político?, enfatiza o arcebispo, ao assegurar que a sua diocese não terá candidato. ?A Igreja orienta que os agentes qualificados para disputar uma eleição são os leigos. O sacerdote tem outro campo de atuação?, repetiu.