Governo
BOLSONARO LANÇA PRÉ-CANDIDATURA À REELEIÇÃO
Senador Collor, deputado estadual Cabo Bebeto e Flávio Moreno participaram da cerimônia
O presidente Jair Bolsonaro lançou no último domingo sua pré-candidatura à reeleição dando o tom do que deverá ser a sua campanha. Ele contestou a suposta liderança do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas pesquisas, afirmando que a disputa não será da esquerda contra a direita, mas "do bem contra o mal". O senador Fernando Collor, o deputado estadual Cabo Bebeto e o agente da Polícia Federal Flávio Moreno acompanharam a cerimônia de filiação do PL, em Brasília.
- Essa é a nossa terra. O nosso inimigo não é externo, é interno. Não é uma luta da esquerda contra a direita, é uma luta do bem contra o mal. E nós vamos vencer essa luta. Porque estarei sempre na frente de vocês. Na cerimônia, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, também tratou Bolsonaro como "futuro presidente pelo segundo mandato". Já o presidente disse que quer deixar o governo "bem lá na frente".
Bolsonaro voltou a destacar o compromisso do seu governo de lutar contra a corrupção:
- Acabou a farra com dinheiro público. Buscam qualquer coisa, qualquer gota d'água para transformar em um tsunami. Todos sabem como nos portamos. Três anos e três meses em paz nessas questões. Se aparecer, nós colaboraremos para que os fatos sejam elucidados.
Ele disse ter certeza do sucesso e contar com apoio do povo.
- Se é para defender a nossa democracia e nossa liberdade, eu tomarei a decisão contra quem quer que seja. E a certeza do sucesso é que eu tenho um exército ao meu lado. E este exército é composto de cada um de vocês", discursou Bolsonaro.
Bolsonaro criticou o governo da Venezuela e disse que o Brasil estava "à beira do abismo" antes do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).
— Os mais jovens podem não conhecer. Seus pais e avós têm a obrigação de mostrar para eles para onde o país estava indo, bem como, como vivem os jovens em outros países, como por exemplo a Venezuela. Há pouco, estávamos à beira do abismo.
O presidente questionou como Dilma pode ter tido tantos votos "dentro do TSE".
- As coisas foram aparecendo, o que me moveu a buscar aquele objetivo (eleição) foi reeleição de uma pessoa que não tinha qualquer carisma, que a gente não consegue entender como teve dentro do TSE tanto voto. Quis o destino que viesse um impeachment.
Bolsonaro também voltou a afirmar que espera entregar o governo através de um sistema "democrático e transparente".
— O que nós queremos, juntamente com muitos que estão aqui, é entregar o comando deste país lá na frente, bem lá na frente, por um critério democrático e transparente.
Em sua fala, o presidente chegou a destacar que fica com o "estômago embrulhado" por ter que "jogar dentro das quatro linhas" da Constituição.
— Por vezes, me embrulha o estômago ter que jogar dentro das quatro linhas (da Constituição), mas eu joguei e não foi da boca para fora.
Ao lado do presidente estavam, além da primeira-dama Michelle, ao menos 12 ministros do governo federal, como a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, e o ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno, além governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, de parlamentares aliados, como o senador Collor (PROS) e de personalidades como o ex-piloto Nelson Piquet e o jogador de vôlei Mauricio Souza.
"Garanto a vocês que o ministério do presidente que tanto admiram só tem uma diferença em relação a alguns que passaram por aí: nós acreditamos no Brasil, não podemos deixar de acreditar. A segurança institucional já foi ofendida, jogada pela janela, várias vezes. Estou quieto, vamos aguardar o fim desse filme que tenho certeza que será glorioso", discursou Heleno.
Com uma plateia de camisetas verde-amarela, o evento mostrou Bolsonaro como o "capitão do povo", com vídeos e fotos mostrando suas viagens e passeios no meio de aliados e admiradores.
Durante a cerimônia, Valdemar Costa Neto anunciou a filiação ao PL dos ministros João Roma (Cidadania) e Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia) e do líder do governo do Congresso, senador Eduardo Gomes (TO). Roma é pré-candidato ao governo da Bahia, enquanto Pontes deve ser candidato a deputado federal por São Paulo.
Havia a expectativa de que Braga Netto comparecesse e também se filiasse, mas isso não ocorreu. Na semana passada, Bolsonaro indicou que ele será o escolhido como companheiro de chapa.
Alguns dos ministros a discursarem foram Roma e Tarcísio Gomes de Freitas (Infraestrutura), que deve se filiar ao Republicanos e será candidato ao governo de São Paulo. Roma enalteceu as ações da Bahia, por onde sairá como candidato ao governo.
— Com o presidente Bolsonaro nós estaremos cada vez mais seguindo firme, todos juntos lá na Bahia, todo esse time, porque a Bahia também ama o presidente Bolsonaro e quer um futuro glorioso para o povo altivo. Estaremos com o PL 22 avançando para que o nosso Brasil seja sempre para nós motivo de orgulho.
Em seu discurso, Bolsonaro também chamou a ministra Tereza Cristina (Agricultura) para falar. Tereza foi defendida como possível vice do presidente por nomes do Centrão, mas deve concorrer ao Senado.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) também discursou no evento, tendo sido anunciado como o "homem que fez a realidade desse evento". Flávio teve papel importante na negociação para a entrada de Bolsonaro no PL.
O senador disse que o presidente, que é seu pai, defende o instituto da família, mas não um filho ou um parente.
— Quando ele vem defender a família, o instituto da família, não é defender um filho, um parente, um amigo, de nada de errado que fez, porque não fizemos nada de errado. É defender o instituto da família, coloca de verdade Deus em primeiro lugar — disse Flávio.