Paralisação
GREVE DOS TÉCNICOS DO INSS DEIXA AGÊNCIAS SEM FAZER PERÍCIA MÉDICA
Em Alagoas, 31,3 mil pessoas estão com pedidos de benefício parados por causa de alguma pendência
Servidores, como assistentes sociais, técnicos e analistas do INSS que atuam no sistema de perícia das agências da Previdência Social estão há pelo menos uma semana em greve. Nessa quarta-feira (30), foi a vez dos médicos peritos também aderirem ao movimento. Eles cobram realização de concurso público, em decorrência da quantidade de aposentadorias registradas ao longo dos últimos cinco anos, melhorias no plano de cargos e carreiras e ainda reposição salarial de 20%.
Alagoas possui 42 agências da Previdência e, segundo o Sindicato dos trabalhadores da Saúde, Previdência, Seguro Social e Assistência Social (Sindprev), diversos municípios estão sem os serviços, como Maceió, Arapiraca e Palmeira dos Índios.
Segundo a entidade, os trabalhadores estão exercendo as atividades tanto de forma remota, como presencial. Até o momento, a greve foi aderida pelos trabalhadores que se mantêm presencialmente nas agências. No entanto, de acordo com o presidente do Sindprev, Ronaldo Alcântara, trabalhadores que utilizam o sistema virtual de atendimento se comprometeram a aderir ao movimento a partir desta sexta-feira (1).
Em Alagoas, segundo o sindicato, alguns dos municípios que estão com as agências paralisadas para atendimento pericial são: Arapiraca, Palmeira dos Índios, Murici, Santana do Ipanema e três agências de Maceió, que segundo o sindicato são as mais frequentadas por beneficiários: a agência do Tabuleiro do Martins, na Durval de Goes Monteiro; da Jatiúca, na Avenida Álvaro Calheiros; e uma agência localizada no bairro do Poço.
Uma das reivindicações das categorias é a reposição salarial. Segundo presidente do Sindprev, a categoria quer um reajuste de 20%. “Estamos reivindicando, dos quatro anos, a reposição de praticamente dois anos”, diz Alcântara.
Outra reclamação desses profissionais é a defasagem de pessoal. Em todo o Brasil, a categoria dos técnicos e analistas pede uma contratação emergencial de 7.200 técnicos. Já os médicos peritos, em todo o Brasil, pedem uma contratação de 3 mil profissionais.
“Está havendo um esvaziamento dos guichês e um prejuízo financeiro muito grande, porque muitos dos assegurados e usuários se deslocam às vezes 200 a 300 km, tendo agência próxima às cidades deles, mas não tem um servidor, uma assistência social e um médico-perito que façam os exames deles lá. As vezes o assegurado sai de lá, chega aqui e reclama de ter que gastar R$ 200 a R$ 300 e a gente explica que a culpa não é nossa”, diz o presidente do Sindprev, afirmando que há pessoas que moram, por exemplo, em Piranhas, no Sertão de Alagoas, que utilizam agências de Maceió para resolverem questões de benefício social.
“Alagoas tem 42 agências da Previdência, mas são muito poucas as que têm exame de perícia médica, porque está faltando médicos e técnicos por causa das aposentadorias”, complementa.
Em todo o país, a categoria alega que nos últimos cinco anos 18 mil técnicos se aposentaram, o que corresponde a defasagem atual de servidores. No entanto, eles pedem uma contratação emergencial de cerca de 7 mil técnicos. O sistema online de atendimento, segundo Ronaldo Alcântara, não é suficiente para atender a demanda, já que boa parte dos assegurados não têm acesso à internet ou não sabem manusear as plataformas online.
“As agências foram construídas para isso. Para as pessoas do interior não precisarem se deslocar para Maceió. Queremos que todas as agências de Alagoas tenham perícia médica. No estado estamos com 326 servidores técnicos e desses, 81 podem pedir aposentadoria a qualquer momento”, relata o representante da categoria em Alagoas.
O Plano de Cargos e Carreiras e o reconhecimento das funções como carreira típica de estado também está entre as reivindicações dos técnicos.
“É a valorização do nosso trabalho, pela excelência do trabalho que temos com relação à gestão dos benefícios, auxílios, pensões e os amparos sociais. O INSS tem um trabalho que ele é praticamente um banco, ele só não paga diretamente, mas libera pagamento de mais de 30 milhões de assegurados”, finaliza o Ronaldo Alcântara.
A Gazeta de Alagoas tentou posicionamento do INSS, via coordenação local, mas foi orientada a buscar informações junto à Assessoria de Comunicação Social em Brasília. Até o fechamento desta reportagem, a Gazeta de Alagoas não conseguiu esse contato.
Segundo dados do Boletim Estatístico da Previdência Social (BEPS), Alagoas é o terceiro estado do Nordeste que mais demora para concluir análises de pedidos de benefício da Previdência Social, no ranking nacional.
Os dados apontam que Alagoas leva, em média, 110 dias para conceder o benefício, atrás de Rio Grande do Norte e Paraíba, que demoram 109 e 106 dias, respectivamente. O estado que conclui os requerimentos em menor tempo é São Paulo, que leva 56 dias.
O boletim também aponta que em Alagoas 31,3 mil pessoas estão com o requerimento de benefício do INSS parado por causa de alguma pendência da própria instituição e metade está na fila de espera por mais de 45 dias. Do total, mais de 52% das pendências são relativas a perícias médicas.