Política
Oposicionistas se articulam
O retorno do deputado e empresário João Lyra (PTB) para a disputa da Prefeitura o coloca como aglutinador da ?frente de oposição? contra Alberto Sexta-Feira e Kátia Born (PSB). A análise desta postura surgiu, ontem pela manhã, numa entrevista do ex-presidente Fernando Collor, no Programa Ministério do Povo, da Rádio Gazeta AM. Segundo o ex-presidente, a retirada da candidatura de João Lyra abria uma lacuna para a formação da frente de oposição. ?Só tenho a lamentar a desistência, pois o candidato João Lyra poderia encarnar uma candidatura legítima da oposição?, disse o ex-presidente, avaliando a retirada do nome do empresário. Collor voltou a criticar a pré-candidatura do senador Teotonio Vilela Filho (PSDB). Sua análise serviu de referência para uma reunião dos assessores diretos de Lyra. O encontro serviu como mais uma forma de pressão e incentivo ao seu retorno à disputa. A frente de oposição terá como prováveis partidos, entre outros, o pequeno PRTB de Collor e o PFL do deputado federal José Thomaz Nonô. Ambos fazem oposição tanto ao governo do Estado como à Prefeitura Municipal. A indicação do vice de João Lyra será dada, como prioridade, ao PFL, por uma questão estratégica: o tempo de propaganda eleitoral na TV. Os entendimentos para isso serão mantidos com o próprio Nonô. Como Nonô não fechou apoio com o PSDB ? de onde também partem cortejos ?, muito menos com o PDT, é real a possibilidade de aliança com o grupo de João Lyra. O encontro entre os três partidos pode acontecer nos próximos dias, a fim de saírem ?de mãos dadas? rumo à convenção do dia 30. Se forem confirmadas as tendências de alianças, o PTB e o ?nanico? PSTU serão os únicos partidos a partirem para suas convenções com seus respectivos vices definidos. No caso específico do PTB, isso pode significar a saída na frente da campanha pública. Ontem os vereadores petebistas, assim como assessores de Lyra, aguardavam uma convocação extraordinária para reassumirem os trabalhos e articulações políticas. O encontro ficou condicionado à chegada do deputado, em vôo particular. Órfão A reviravolta provocada pelo PTB com o retorno de João Lyra poderá deixar órfão o PDT. Isto porque o partido já aguardava um vice oriundo do PFL. A lacuna, entretanto, também pode significar uma migração do partido ? que já ficou órfão de Brizola ? para o grupo de Lyra. Isso, porém, não é confirmado, já que o PDT ainda mantém uma secretaria na estrutura do governo do Estado. A Secretaria Executiva do Trabalho é ocupada pelo vice presidente do partido, o ex-prefeito Corintho Campelo da Paz. Como o PDT tem o líder nas pesquisas, deputado estadual Cícero Almeida, pode negociar com outros partidos as alianças necessárias para consolidar sua candidatura. A conjuntura política, depois de doze anos de gestão do PSB na prefeitura e seis anos no governo do Estado, tem sido determinante para a construção da chamada ?Frente de Oposição?. O detalhe é que, ao longo desses anos, o PPS e o PDT, ambos com pré-candidaturas definidas, passaram a integrar estruturas governamentais. Com isso, se descaracterizaram em seus discursos de oposição. (MR/AF)