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Conselheiro confirma ter filhos candidatos

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CÉLIO GOMES ARNALDO FERREIRA O presidente do Tribunal de Contas de Alagoas (TC-AL), Edival Vieira Gaia, confirmou que cinco conselheiros (incluindo ele) têm filhos ou parentes que seguem a carreira política de suas famílias. ?A maioria dos prefeitos, vereadores, parlamentares e políticos alagoanos sabe que faço parte de uma família tradicional e de políticos na região de Palmeira dos Índios. Bem antes de o prefeito (Albérico Cordeiro) entrar na política e se eleger deputado federal, a minha família já era de políticos, em Palmeira e regiões vizinhas?, afirmou o presidente do TC. Gaia insinua conhecer uma suposta campanha política, envolvendo assessores do prefeito de Palmeira, com o objetivo de ligar as atividades políticas de seus filhos com as suas de presidente da Corte de Contas. A suposta campanha, segundo Gaia, induziria as pessoas a acreditar que o presidente utilizaria o TC para beneficiar os objetivos eleitorais dos filhos e genro. ?Tenho filhos políticos, sim. Um de meus filhos é deputado estadual (Val Gaia); tem outro candidato a vereador (Luiz Carlos Gaia). Eu não posso impedir meus filhos, que são maiores e por vontade própria decidiram ingressar na luta eleitoral, a desistirem dos seus projetos para agradar a ninguém?, frisou o presidente do TC ao assegurar, ainda, que o tribunal realizou um ?trabalho técnico? em Palmeira dos Índios. ?O trabalho executado na prefeitura foi normal. Os procedimentos adotados foram os mesmos aplicados aos outros 101 municípios deste Estado?, acrescentou Gaia. O conselheiro garantiu que ?não procede a acusação de que o TC teria feito uma fiscalização política com o objetivo de perseguir o prefeito Albérico Cordeiro, que é candidato à reeleição?. Com relação a outros conselheiros que têm filhos políticos ou candidatos, ele disse que ?cada conselheiro sabe o tamanho de suas responsabilidades e conhece os compromissos constitucionais da instituição. Em dois anos como presidente desta Corte, nunca vi um ato que comprometa a conduta deste tribunal e nunca nenhum conselheiro me fez pedidos para auferir vantagens políticas ou eleitorais, a fim de beneficiar os seus filhos ou parentes?, afirmou. O presidente do TC argumenta que Alagoas é um Estado ?muito pequeno?. Segundo ele, a maioria das famílias políticas é conhecida; a relação de ?compadres?, conforme ele, é grande. ?Todos os conselheiros, na prática, são muito vigiados pela sociedade?. O presidente também considera que o fato de filhos de conselheiros seguirem carreira política da família ?não compromete a missão da Corte de Contas?. Segundo Gaia, o processo de fiscalização se baseia em documentos fornecidos pelas próprias prefeituras. Os documentos, de acordo com o presidente do TC, são confrontados com as declarações prestadas pelos administradores. ?Os técnicos, na verdade, nos trazem uma fotografia minuciosa do que acontece na movimentação contábil dos municípios, das câmaras de vereadores e órgãos estaduais. ?Critérios técnicos? A equipe que fiscalizou a Prefeitura de Palmeira foi formada pelos técnicos Jurandir Alexandre dos Santos Filho, Itamar Ramos de Oliveira, Roberto Lúcio Palmeira Rodrigues e Bergson Vasconcelos Mendonça. Os técnicos atuaram sob a coordenação de Dário César Barbosa da Silva, diretor no TC. ?A inspeção em Palmeira obedeceu a critérios técnicos?, garantiu Edival Gaia. As contas de Palmeira foram rejeitadas há 15 dias. ?O prefeito tem 30 dias para se defender e justificar as irregularidades encontradas?, disse Dário César. Além de irregularidades nas contas, os técnicos encontraram ?desordem contábil na administração municipal. O discurso do presidente é formal e neutro, mas não elimina o mal-estar de uma situação esdrúxula ou, no mínimo, estranha: quem fiscaliza a aplicação da lei por parte de autoridades públicas tem, muitas vezes, uma relação de disputa política com essas mesmas autoridades.

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