Política
Sucess�o de K�tia � marcada por altos e baixos
ARNALDO FERREIRA MARCOS RODRIGUES A sucessão em Maceió está embolada. Ao contrário da relativa tranqüilidade que foi o processo de reeleição de Kátia Born, em 2000, este ano o que parecia certo virou dúvida e o impossível se tornou realidade. Fora do debate político, apenas as discussões sobre os projetos de que Maceió precisa para superar os índices sociais negativos que se somam aos do Estado. Pré-candidaturas que não eram especuladas, como a do senador Téo Vilela (PSDB), passaram a existir e desestabilizaram alianças previamente consolidadas. Até a pré-candidatura do deputado-empresário João Lyra (PTB), posta há um ano, foi eliminada e depois recolocada por ele próprio, e ainda é duvidosa. Os petistas também não ficaram fora desse quadro. A semana teve, ainda, o anúncio de uma ?possível? candidatura do ex-presidente Fernando Collor, que se dispôs a encarnar o discurso de oposição pelo PRTB. Crise Depois de enfrentar um processo de disputa que expôs as divergências internas do PT, o presidente do Diretório Regional, deputado Paulo Fernando dos Santos, o Paulão, pode ficar de fora do processo. Essa nova crise está posta, por causa da nova realidade: uma aliança que o reaproxima do PSB, depois de seis anos, em relação ao governo do Estado. Os petistas prometeram discutir o quadro no fim de semana com as tendências internas. A confusão é grande. No muro dos tucanos, por exemplo, Téo Vilela, que ?cozinhou? o anúncio de sua entrada no pleito deste ano por dois meses, convocou a imprensa e disse que não encararia a disputa. Duas semanas depois, voltou atrás e afirmou seu interesse em administrar Maceió. Sua saída e retorno causaram um significativo terremoto nas estruturas governamentais. Isso porque, além de o PSDB assumir críticas públicas ao governo municipal que ajudou a construir, retirou do ?berço socialista? o PMDB. Já entre os peemedebistas existe uma corrente, liderada pelo ex-deputado José Costa, que passou a declarar que o partido não deveria ficar na ?sobra? dos tucanos. O tremor provocado por suas declarações parece estar contornado, ou pelo menos ?mascarado? pela entrada em cena do senador Renan Calheiros. Renan tem reiterado que, se Téo encarar mesmo uma candidatura, ele o apoiará. Ainda assim atua como ?bombeiro? para evitar que as divergências avancem. Ambos estão em Maceió e já mantiveram encontros demorados, porém sem repercussão, sobre que caminhos seguirão. Ou seja, chegam à última semana do prazo regimental das convenções sem anunciar nada definido. Nacional Téo tem sua entrada no pleito orientada a partir de uma referência nacional. Tudo em razão do realinhamento que os tucanos vêm fazendo, nas pricipais capitais, para reagrupar a oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nesse contexto, sua aliança natural com o PFL, do deputado José Thomaz Nonô, se inviabiliza. Isto porque, segundo Nonô, o tucano ainda não deixou clara sua posição em relação ao governo do Estado. Nonô diz não entender que seja possível Téo ser oposição só em nível municipal. Ainda por causa do cenário nacional, o PMDB esteve muito próximo de compor com o PT. Pelo menos era o que acreditavam os petistas da corrente Articulação de Esquerda. A avaliação passou a se consolidar quando Renan levou o PMDB para a base aliada do governo do presidente Lula. Os prognósticos, porém, não avançaram. A ligação do senador com Téo Vilela inviabilizou essa composição. Salvação Mas os petistas não ficaram órfãos. Como não conseguiram decidir se ficavam com o PL, do deputado João Caldas, ou ainda com o PMDB de Renan, o socorro veio de fora. Em Minas, José Genoino pôs fim ao distanciamento que seus companheiros mantinham do governador Ronaldo Lessa. Agora, o PT, que fazia críticas à gestão de Kátia Born e de Ronaldo Lessa, estará no ninho socialista e terá de referendar as respectivas gestões. Lessa, por sua vez, mesmo conseguindo pôr fim à dúvida sobre de onde sairia o vice de Sexta, sai do processo atingido. Acordo O detalhe é que o acordo prévio de Lessa para 2006, onde apoiaria Renan Calheiros para o governo do Estado, começa a definhar. Como Kátia Born já anunciou que tem interesse em ser sua sucessora no Palácio Floriano Peixoto, Lessa terá de pedir votos para ela e trabalhar seu próprio nome para o Senado, sem o apoio de Renan. Com isso, o quadro sucessório municipal, que já seria um espelho do próximo pleito governamental, aponta novas saídas. Se a confusão deste ano servir de referência, daqui a dois anos todos os partidos voltarão a lutar por seus interesses eleitorais.