Política
Collor chama chapa de C�cero Almeida e Lourdinha de casa-grande e senzala
O primeiro dia de vida da aliança trabalhista, que juntou Cícero Almeida (PTD) e Lourdinha Lyra (PTB), no lugar do pai, João Lyra (presidente do diretório estadual do PTB), foi marcado por críticas e provocações. A união dos dois partidos foi desconsiderada pelo ex-presidente Fernando Collor (PRTB), como sendo um encontro da ?casa-grande com a senzala?, numa referência às origens antagônicas de Cícero Almeida e Lourdinha Lyra. Segundo o ex-presidente, o fato de o PDT não ter entregue a Secretaria Executiva do Trabalho não lhe atribui a característica de uma chapa de oposição. Collor disse que, por isso, ainda procura um nome, até hoje, último dia para realização das convenções, ?que possa aglutinar uma frente de oposição?. Outro fato criticado por ele foi a ida de João Lyra, horas antes de anunciar o acordo, ao Palácio Floriano Peixoto. ?Ainda é perfeitamente possível que encontremos esse nome que consolidaria uma oposição de fato. Afirmo isso considerando, ainda, que poderia vir a ser candidato caso o quadro não se modifique?, afirmou Collor, sem citar siglas. Ao ser indagado sobre a rejeição ao seu nome na capital e a possibilidade de nacionalização, para reforçar a antipatia, o ex-presidente avaliou que em cada eleição o quadro é diferente e desconsiderou essa informação. Ele negou problemas financeiros herdados de sua última disputa para o governo do Estado, sem demonstrar preocupação sobre como conseguiria recursos para financiar uma nova campanha. Collor disse que ?se surgirem camisas laranja em quantidade absurda, fica evidente o derrame de dinheiro?. Honestidade A fala de Collor provocou reação imediata do pré-candidato do PDT. Cícero Almeida, demonstrando irritação, declarou ser um político da ?nova safra surgida no Estado, que não tem passado comprometido politicamente?. A referência, indireta, à cassação de Collor e sua derrota no último pleito foi repetida várias vezes. ?Minha candidatura não está ligada à senzala nenhuma, mas sim à expressão do povo, demonstrada nas pesquisas?, disse Almeida, sem citar quais institutos o colocam em primeiro na corrida pela sucessão. ?É uma aliança para deixar coisas boas para Maceió?, disse. Ele voltou a afirmar que sua ligação com João Lyra não foi a partir de razões financeiras ou poder aquisitivo. Para defender sua vice, Lourdinha Lyra, ele lembrou sua ligação e participação em eventos sociais.