Política
OPERAÇÃO DESARTICULA GRUPO QUE APLICAVA GOLPES EM SERVIDORES
Quadrilha que tinha como alvo funcionários públicos de Alagoas foi descoberta após Coaf identificar ‘movimentação financeira estranha’
As investigações da Polícia Civil que culminaram na desarticulação de um esquema criminoso que aplicava golpe em servidores públicos de Alagoas tiveram início após o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) identificar uma movimentação financeira suspeita de uma das investigadas, que, na verdade, foi considerada como a chefe da quadrilha. Ela atuava junto com o marido e os filhos. Todos são investigados pela prática de estelionato, lavagem de capitais e organização criminosa.
Com informações que apontavam para a sequência de crimes. a equipe da PC deflagrou ontem operação em Maceió, que cumpriu mandados de busca e apreensão expedidos pela 17ª Vara Criminal da Capital. Ninguém foi preso, mas foram apreendidos bens avaliados em cerca de R$ 6 milhões, além de R$ 100 mil em espécie. A despatrimonialização dos investigados é fundamental em casos como esse.
De acordo com as investigações, servidores públicos superendividados eram cooptados a realizar empréstimos consignados – através do MinasCred - mesmo sem margem consignável, a fim de quitar débitos com bancos e correspondentes, sendo que tais serviços fornecidos pela líder da organização onerava excessivamente os “clientes”, que além de concordarem com negócios dos quais não tinham qualquer noção de valores e juros, ainda eram obrigados a fornecer senhas, abrirem contas e assinarem papéis, tudo às cegas.
Ao recepcionar as vítimas endividadas e sem margem consignável, os integrantes do grupo as convenciam a pagar uma taxa de serviço de 15% sobre as dívidas já contratadas para, em seguida, contratar novo empréstimo, cujo valor nunca chegava a essas vítimas. A elas, eram pagos apenas valores definidos pelo grupo criminoso.
Para concretizar o golpe, eles diziam que liberariam a margem consignável, mas o novo empréstimo – com valores bem superiores – acabavam nas mãos dos golpistas.
Segundo o delegado Lucimério Campos, a estrutura da MinasCred era usada para essa transação e os valores eram creditados nas contas criadas apenas para receber o empréstimo. Em seguida, operadores da líder do grupo efetuavam saques e transferência para contas da estelionatária.
O delegado Lucimério Campos disse ainda que, com a divulgação do caso, outras pessoas vítimas do golpe podem comparecer à Secotap, no Complexo de Delegacias Especializadas (CODE), no bairro de Mangabeiras, para prestarem esclarecimentos sobre os fatos.
O Coaf – que atua especificamente na prevenção e no combate a crimes financeiros – inicialmente comunicou à Polícia Federal sobre a ocorrência de irregularidades, que em seguida acionou a Polícia Civil, que conseguiu desarticular a quadrilha.
O golpe, descoberto a partir de investigações que duraram cerca de dois anos, era aplicado a partir de atividades da empresa MinasCred, localizada na Rua Barão de Penedo, em Maceió, que funciona como uma empresa de empréstimos consignados a pessoas físicas, especialmente a servidores públicos.
Policiais civis da Secotap, Núcleo de Inteligência (NI) da Delegacia Geral e do Tático Integrado de Grupos de Resgate Especial (Tigre) deram cumprimento a mandados de busca e apreensão em seis locais, e que resultaram na apreensão de bens, estimados em cerca de R$ 6 milhões, e R$ 100 mil em dinheiro. Entre os bens, estão três carros de luxo, uma casa (num condomínio de luxo na Serraria) e dois apartamentos (no Farol e na Pajuçara), também de luxo. Os mandados tiveram parecer favorável do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Estado (MPAL).
O grupo era comandado por uma mulher, de 51 anos de idade. Mas também faziam parte do grupo o marido dela, de 66 anos, dois filhos, um contador e laranjas que faziam os saques do dinheiro resultante do golpe. A polícia acredita que mais de 100 pessoas tenham sido vítimas do crime, e revelou que a mulher, acusada de liderar a organização criminosa, já atua desde 2005 no mercado, em Maceió.
A ação foi comandada pelos delegados José Carlos, coordenador da Divisão Especial de Combate à Corrupção (Deccor), e Lucimério Campos, titular da Seção Especializada no Combate a Crimes Contra a Ordem Tributária e Administração Pública (Secotap).
*Com Assessoria
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