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FACÇÕES EXERCEM INFLUÊNCIA NOS PRESÍDIOS

Criminosos conseguem acesso a drogas e telefones e influem até na transferência de presos

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Imagem ilustrativa da imagem FACÇÕES EXERCEM INFLUÊNCIA NOS PRESÍDIOS
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A Gazeta apurou, ainda, que, nas unidades prisionais alagoanas, as facções dominam espaços que influenciam diretamente no seu funcionamento, como, por exemplo, quem são os presos que podem ser encaminhados. Atuam, também, no sentido de conseguir acesso a drogas e telefone, em especial por meio de pessoas da família e até mesmo corrompendo servidores de serviços prestados. O trabalho de monitoramento é intenso, mas sofre descontinuidades pela necessidade de concurso para a renovação dos quadros. A militarização, integrada à presença de efetivos e prestadores, cria uma divisão que depõe contra a lógica de gestão prisional eficiente. Com tantas divisões, é o crime organizado quem vence e consegue, além de se manter articulado, administrar e gerenciar operações de tráfico fora dos muros, bem como o controle pela força: leia-se eliminação de inimigos e quem trai o “movimento”. Esse fenômeno não é apenas localizado na capital, muito menos no interior, mas em toda a região Nordeste, que, por sua vez, sofre influência do que ocorre no País, já que, à exceção dos presídios federais, em todos os que têm domínio apenas dos estados, as facções continuam fortes e unidas, cada uma com seus interesses. Falta também uma demanda de inteligência, ordenada com a cúpula da Segurança Pública, Ministério Público e até mesmo o Poder Judiciário, para viabilizar transferências rápidas e de surpresa. Porém, o movimento considerado mais eficiente seria o da identificação dos principais líderes e isolamento em regime diferenciado que só ocorre em presídios federais. Outro lado Procurada para falar, a Secretaria de Segurança Pública informou, por meio de sua assessoria, que “não houve descontinuidade do trabalho na pasta” com as recentes mudanças de comando. Disse, também, que, em relação aos casos de violência citados, “estão sendo intensificadas as rondas, a parte ostensivas nas áreas onde há incidência criminal, além de um trabalho investigativo e de inteligência”. Não ficou claro, por exemplo, se o trabalho de inteligência ocorre em parceria com a Polícia Civil, é feito pela PM e se tem a colaboração do Ministério Público, uma vez que a atividade policial também é acompanhada pelo órgão. O comando da Polícia Militar também foi procurado por meio de sua assessoria de comunicação, mas, até o fechamento desta edição, não respondeu às indagações.

AUSÊNCIA

Até o momento, já se sabe que, entre as vítimas diárias, seja nos confrontos com a polícia, seja entre as próprias facções, são negras. Então, existe sim, paralelamente ao contexto genérico da violência, um recorte social que tem cor, sexo e origem. O Instituto do Negro de Alagoas sabe bem disso, tanto que busca pressionar por políticas inclusivas e de massa, que tenham alcance e criem novas oportunidades. Segundo Geysson Santos, a própria presença das facções se dá quando o poder público e as políticas públicas estão ausentes. "As facções são consequência da ausência do poder público. Ausência do Estado. Quando ele se nega a reconhecer a existência desses grupos excluídos historicamente, essas pessoas se organizam. E as facções acabam sendo um lugar-comum pra a explicação de qualquer violência nas periferias”, analisou Santos “Não há preocupação do poder público em saber e pesquisar se esses jovens são realmente facionados. Se realmente mantém relação com elas. Por serem organizações que sobrevivem sob a ótica da criminalidade, de algum modo Estado lucra com isso. Porque tem uma resposta imediatista sem aprofundamento do problema e a solução é sempre a mesma: exclusão e reclusão. É a legitimação da criminalização desses corpos". Ele considera que é bom lembrar que as organizações do modo que estão hoje em dia, nem sempre existiram. Porém, atualmente, se manifestam de várias formas e não só na periferia, mas também nas periferias, nas estruturas do Estado e nos centros. Funcionam como via de mão dupla, já que, como o Estado não aposta na prevenção, é de ostensividade e repressão, a existência das facções legitima a explicação para a criminalidade nas periferias. “Não é à toa que sejam corpos negros as vítimas disso. Na verdade é estruturado para isso, para que esses corpos negros sejam os que matam, mas também os que morrem. E o estado observa tudo isso porque se organizar para legitimar isso”, afirma Santos. “Quando se pensa em segurança pública se pensa em policiamento, encarceramento e nunca vem a pauta de esporte, cultura e lazer. Se existem condições mínimas de sobrevivência. O lugar-comum é o de extermínio”.

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