Política
CRIMES E GOLPES VIRTUAIS CRESCEM MAIS DE 1.000% EM DOIS ANOS
Aplicativos de mensagens, e-mail, redes sociais, sites e SMS são as principais formas de atrair as vítimas
O uso diário do celular para compras, inscrições, consultas e operações bancárias tem facilitado a vida de todos, em especial durante a pandemia. Só que, na mesma proporção, também, a dos golpistas, estelionatários e criminosos virtuais. Os números indicam que, de 2020 até abril deste ano, ocorreu um aumento de mais de mil por cento dos crimes no ambiente virtual e estelionato.
Segundo o delegado de Crimes Cibernéticos, Cayo Rodrigues, os aplicativos de mensagens, e-mail, redes sociais, sites e mensagens de SMS ainda são as principais formas de atrair as vítimas, em especial por causa da fragilidade financeira das vítimas. Isso porque, entre as ofertas mais comuns, estão empregos com alta remuneração e premiações.
“Vejo que a criminalidade está onde as pessoas estão. Cada vez mais estamos vendo a virtualização das relações, seja nas redes sociais, sites, compras online. As pessoas usam mais os dispositivos móveis, e a criminalidade acompanha isso”, disse Rodrigues.
Com a experiência adquirida nesse período, ele explicou que a tendência do aumento dos golpes no ambiente virtual era esperado. Porém, o processo da pandemia teria favorecido os golpistas, já que a migração de usuários para a busca de serviços aumentou de forma avassaladora.
“Via isso como um movimento natural e, com o advento da pandemia, isso acelerou um pouco mais os crimes. Era um caminho que iria acontecer, mas foi, de fato, acelerado por conta da pandemia”, explicou.
ESTELIONATO
Dados da delegacia especializada indicam que, em abril de 2020, foram registradas 56 ocorrências de crimes no ambiente virtual. Até o final do mês passado, o número saltou para 632 ocorrências. Nesse período chama a atenção o fato de os meses de janeiro e fevereiro despontarem com o maior número de vítimas. Há dois anos o primeiro mês registrou 133 casos, enquanto fevereiro 113 ocorrências, respectivamente. O mesmo ocorreu este ano, quando em janeiro 729 pessoas foram vítimas. A média, porém, continuou elevada, com 634 casos em fevereiro, 635 em março e 632 no mês passado. Os casos de estelionato também têm dados crescentes. Nessas situações, os golpistas constroem enredos aparentemente mais convincentes, por meio de mensagens elaboradas com oferta de empregos ou premiações.
MENSAGENS ENGANOSAS
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No momento a situação mais comum é a que a vítima recebe, via SMS, no celular uma informação de que foi escolhida para um trabalho de meio expediente, no qual receberá entre R$ 4 mil ou R$ 5 mil. Tudo isso mesmo sem que tenham feito nenhuma inscrição para ser selecionado para algo tão fantástico. Conforme explicou o delegado, em geral, durante o processo de sedução da vítima, ela é indicada para um site onde é levada a fornecer dados pessoais e até mesmo situações onde libera informações sobre suas redes sociais.
“Em ambos os casos, essas informações serão utilizadas para acessem dados bancários ou realizar compras em nome da vítima. E um detalhe é que as pessoas precisam ter atenção, pois a recuperação de valores perdidos é muito difícil”, completou Rodrigues. O principal, porém, é buscar sites confiáveis, evitar o uso de sites em locais públicos e não permitir que senhas fiquem gravadas. Ficar atento para os números que mandam mensagens e colocá-los em sites para buscar informações se há alguma denúncia. Além de só acessar sites confiáveis, em especial se o próprio usuário foi fazer algum cadastro. Outro detalhe é não fornecer valores, número de conta bancária com senha, nem senhas pessoais de acesso às redes sociais.