Política
Maiores coliga��es v�o ter tempo quase igual na TV
ODILON RIOS A afinação política dos partidos está quase consolidada e eles começam a se organizar para o tempo de TV e rádio que terão na propaganda eleitoral, garantia de atingir um maior número de eleitores oferecendo propostas ou atacando outros candidatos. Entre os partidos, os tempos são quase iguais, à exceção das siglas emergentes, também chamadas de ?nanicos?. O PSTU, por exemplo, vai ter este ano perto de dois minutos. Para o advogado Ricardo Barbosa, que concorre a prefeito pela legenda, o tempo é significativo. ?Agora vamos ganhar, porque antes eu tinha menos de um minuto para falar?, avisou o candidato. O PMN e o PRP ainda não definiram seus vices e também não sabiam o tempo de TV, até o início da noite de ontem. Mas eles devem ter pouco mais de um minuto para seus programas de televisão e rádio. No caso dos partidos maiores, com mais representação na Câmara Federal, o tempo é bem maior. Na aliança PSB-PT, o tempo é de cerca de 15 minutos. Para a aliança PSDB-PPS-PP-PMDB, o tempo em rádio e TV também está na casa dos 15 minutos. No caso de PDT-PFL-PTB-PSL, o tempo disponível será de cerca de 13 minutos. Para alguns candidatos, os holofotes não vão gerar grandes problemas. O candidato a prefeito Cícero Almeida (PDT), por exemplo, elegeu-se vereador e depois deputado estadual graças à popularidade que alcançou num programa policial de TV. E a carreira política do próprio deputado tem como tom mais forte a aparição pública, entrevistando acusados de roubo, estupradores ou ajudando pessoas na periferia mais pobre e menos esclarecida. Tempo x urnas Para o publicitário e professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) Luiz Dantas, tempo de TV não ganha eleição. ?Mas o que temos visto é o contrário: os partidos perseguem mais tempo?, adiantou. Segundo ele, o tempo ideal na TV é de dois minutos, que seria como uma espécie de padrão na televisão brasileira, já que funciona, de acordo com o professor, como o tradicional intervalo na TV. ?Com esse tempo, já dá para fazer alguma coisa?. De acordo com Dantas, o horário eleitoral enfrenta o desafio de prender, por um determinado tempo, o eleitor na frente da televisão e competir com as grandes superproduções das novelas. ?Imagine você assistindo uma novela da Globo de alto nível e cenários que retratam com fidelidade uma época, e tudo aquilo é interrompido para um programa eleitoral, onde um sujeito já tem um carimbo na cabeça indicando que é político, fala mal e o programa é de baixa qualidade. O eleitor não quer ver isso?, resumiu o professor da Ufal. ?Por isso, o horário eleitoral tem uma grande audiência no começo da campanha, diminui no meio e no final volta a aumentar?, explicou, destacando a importância do debate. ?Um programa de quatorze minutos é uma loucura. É difícil de fazer e exige muita criatividade. Uma campanha hoje pede gente e equipamento?, comentou Dantas, que acrescentou mais um ?tempero? que pode contribuir ?e muito ? para a alteração da produção dos programas: a análise das pesquisas eleitorais. Outro elemento que pode influenciar a imagem do candidato é a apresentação dele diante das câmeras: se vai ou não ler o discurso, se vai ou não falar com desenvoltura, misturando a mensagem que quer passar ao eleitor. ?Óbvio que quando vamos elaborar uma proposta para veicular um programa de TV, levamos em conta se a pessoa tem ou não uma boa oratória?. ?Falar bem não significa falar com conteúdo, não significa ser ouvido com clareza. Mas a pessoa pode ser mal-humorada com os meios de comunicação e ser simples nas respostas durante um debate, por exemplo?, finalizou o professor.