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Juiz pode barrar candidaturas de analfabetos

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MAIKEL MARQUES Sucursal Arapiraca ? Na região agreste de Alagoas, os candidatos aos cargos de vereador nos municípios de Arapiraca, Coité do Nóia, Craíbas, Feira Grande e Lagoa da Canoa que não comprovarem nível de instrução formal podem não ter suas candidaturas oficializadas pelo juiz da 22ª Zona Eleitoral, João Luiz Azevedo Lessa. Na próxima semana ele dá início à convocação dos candidatos que não provarem ter capacidade de leitura ou escrita ? para submetê-los a um teste de Português. ?Não concederei o registro de quem não souber ler ou escrever?, avisa o juiz. Assinatura do nome O juiz tomou a decisão de aplicar o teste com base na constatação de que muitos dos pré-candidatos da região têm dificuldade de assinar o próprio nome. Muitos também não conseguem ler ou interpretar o conteúdo de um texto considerado simples. Embora reconheça o direito universal de votar, o juiz João Azevedo questiona a capacidade de legislar de um futuro vereador que não tiver instrução mínima. ?Como é que ele vai apreciar e votar um projeto, se não souber ler??, questiona o magistrado. Comissão O inédito teste de Português para candidatos ao cargo de vereador será aplicado depois do dia sete de julho, quando o juiz publica portaria determinando a formação de uma comissão de professores, ligados provavelmente à Fundação Universidade Estadual de Alagoas (Funesa). Para avaliar o nível de compreensão da linguagem escrita, os educadores vão pedir aos candidatos para redigir um texto narrado por eles, em linguagem simples. Depois, os ?alunos? vão ler o que escreveram em voz alta. Outra prova Uma outra opção de avaliação é semelhante aos testes aplicados por alunos em fase de alfabetização. O candidato receberia uma folha contendo palavras e objetos. A idéia é que eles façam a correta ligação entre as duas opções. Ou seja: a palavra bola deve ser ligada à figura que representa o objeto bola. ?Como é que eu vou homologar o nome de um candidato que não sabe identificar a palavra bola?? ? indaga o juiz. À reportagem da GAZETA, o juiz explicou que o objetivo de sua medida é melhorar o nível das câmaras municipais nas cidades de Arapiraca, Coité do Nóia, Craíbas, Feira Grande e Lagoa da Canoa, municípios com elevado índice de analfabetismo. Nesses lugares (mas não somente), o juiz considera que uma formação escolar deficiente é uma das causas para a pobreza de debates sobre, por exemplo, as condições de vida de uma população. Por isso, ele afirma que sua decisão de medir o grau de alfabetização dos candidatos a vereador pode contribuir para elevar o nível dos legislativos municipais.

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