Política
PPS e PL decidem ter candidaturas pr�prias
MARCOS RODRIGUES ODILON RIOS A sucessão da prefeita Kátia Born (PSB) guardou suas maiores surpresas para a última hora. Ontem, duas novas candidaturas surgiram, praticamente na porta do Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Tanto Régis Cavalcante (PPS), como o deputado federal João Caldas (PL) não conseguiram compor alianças e vão para a disputa com chapas ?puro-sangue?. Pelo PPS, o vice é Juca Carvalho, enquanto o PL apresentou o nome do advogado Richard Manso. Por telefone, o deputado João Caldas disse que vai para a disputa em Maceió ?praticamente obrigado pela conjuntura política? que cercou o pleito eleitoral. Caldas afirmou que sua entrada na corrida pela sucessão deveu-se diretamente à desistência do senador tucano Téo Vilela. Por causa disso, ?não me restou outra alternativa?, disse Caldas. ?Quero ser a opção para o povo que não tem oposição, principalmente depois da desistência do senador Téo Vilela. Além disso, ainda não está consolidado nenhum projeto para a capital?, avaliou. Na chapa proporcional, que pretende eleger vereadores, o PL também não está coligado com nenhum outro partido. Essa estratégia pode dificultar a reeleição, por exemplo, do vereador Galba Novaes. Retomada A volta de João Caldas ao cenário político da capital ocorre sete anos depois de ele ter participado do processo. Na época, ele disputou a cadeira que era ocupada pelo hoje governador Ronaldo Lessa. A candidatura não decolou, mas serviu para ocupar um espaço no guia eleitoral com discurso de oposição. Agora, mais uma vez, Caldas está de volta e promete manter as críticas à prefeitura. Mesmo integrando o PL, partido que indicou o vice José de Alencar para compor a chapa com Luiz Inácio Lula da Silva, em Alagoas o PL não se aliou ao PSB. Tanto que o único secretário de Estado, Severino Leão, deixou a sigla no dia em que o governador Ronaldo Lessa declarou, no Palácio Floriano Peixoto, que não queria o PL em seu governo. Polêmico A outra polêmica que envolve o nome de Caldas envolve o PT. A senadora Heloísa Helena, então no PT, não aceitou sair candidata ao governo do Estado por causa da aliança que o PT manteria com o PL. A determinação petista era decorrente da aliança nacional. Caldas se apresentava como o político que levou José de Alencar para o PL e à vice de Lula. Depois da desistência, Heloísa passou a atacar o governo Lula, até ser expulsa do PT. PPS No PPS, o ex-deputado Regis Cavalcante dormiu no sábado vice de Téo, acordou sem o cabeça-de-chapa, e dormiu no domingo acreditando ser ele próprio o candidato a prefeito. Acordou ontem isolado com os militantes do partido. Tudo por causa do fim da coligação com PSDB e PMDB. ?Vamos marchar, eu, meu vice, o partido (PPS) e o povo de Maceió?, adiantou, confiante, no final da tarde de ontem, o agora candidato de uma chapa ?puro-sangue?. Até então, havia uma chapa de centro-esquerda. Ainda ontem pela manhã, contudo, em entrevista à Rádio GAZETA, Régis já cogitava a possibilidade de disputar sozinho as eleições municipais, expondo que o PPS tinha, segundo ele, um tempo de TV de 58 segundos. ?Às vezes, há comerciais de 30 segundos que passam uma mensagem e alguns que duram um minuto e não falam nada?, justificava. Mas Régis reconhecia que tinha de esperar a decisão da reunião entre os caciques Renan Calheiros (PMDB) e Teotonio Vilela (PSDB). Durante todo o dia de ontem, o então candidato a vice na chapa de Teotonio Vilela defendia que ele próprio seria o ?candidato natural com a saída de Téo?. De acordo com Régis, em uma reunião realizada com membros do PPS, no domingo, teria sido decidido que ele próprio seria o candidato escolhido pelo partido para disputar a prefeitura, substituindo Téo. À tarde, saiu a decisão: Régis só interessava ao PSDB e PMDB como vice. Se não aceitasse, que seguisse sozinho. De acordo com a assessoria do senador Renan Calheiros, contudo, o PPS ?já havia escolhido seu caminho?, o que não significava um ?racha? entre os dois partidos. Não era bem assim. Em dura nota pública, o PPS ataca o PSDB e o PMDB. Trata a renúncia de Téo como ?inexplicável?, sugere que ele ?abandonou o barco? e lança suspeitas sobre os alegados ?motivos de saúde aparecidos depois que (Téo Vilela) manteve intensas e reservadas conversações políticas no último fim de semana?. Segundo a nota, a retirada do PPS da coligação demonstrou ?fragilidade ética? de seus ex-aliados. ?Vai longe o tempo em que palavra empenhada valia alguma coisa na política alagoana?, diz o documento, afirmando que o PPS foi ?vítima de uma burla po-lítica de mau gosto?.