Política
Elei��es municipais: um teste dif�cil para Lula
Cerca de 400.000 candidatos a prefeito e vereador nos 5.563 municípios brasileiros iniciaram ontem suas campanhas para as eleições municipais de 3 de outubro, que devem ser um teste difícil para o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Os aspirantes a cerca de 68.000 mandatos já podem fazer campanha em praças públicas desde ontem, mas terão que esperar até o dia 17 de agosto para se promover em programas de rádio e televisão, segundo a lei eleitoral. Apesar de o presidente ter dito que não intervirá diretamente na disputa, autorizou os ministros a apoiar abertamente os candidatos de partidos governistas. Além disso, a disputa pela prefeitura de São Paulo é considerada por alguns analistas um terceiro turno das eleições presidenciais de 2002. Entre os favoritos para vencer as eleições de São Paulo, estão José Serra, principal adversário de Lula nas últimas eleições presidenciais, e Marta Suplicy, atual prefeita de São Paulo. A disputa direta entre candidatos de partidos que apóiam Lula e seus opositores se repete na maioria das grandes cidades do país. As eleições municipais são por isso consideradas uma espécie de plebiscito sobre o desempenho do governo. Na segunda-feira, um dia antes do começo oficial das campanhas às eleições municipais, Lula fez em Brasília um balanço otimista de seus primeiros 18 meses de governo. Segundo fontes parlamentares, os êxitos do governo poderão ser usados pelos candidatos de partidos da situação para se defender em caso de ataques. O PT pretende aproveitar as eleições municipais para aumentar sua presença em todo o país. Apesar de ter vencido as eleições presidenciais de 2002, o PT só controla 183 das 5.563 prefeituras do país. Para as eleições de outubro, o partido lançou candidatos próprios a prefeito em todas as capitais estaduais. E, em aliança com partidos governistas e em alguns casos até com opositores, disputa a maioria dos grandes municípios do país. Vários dos ministros de Lula já anunciaram que participarão diretamente das campanhas dos candidatos governistas, mas negam utilizar a máquina do Estado para isso. A oposição, no entanto, denunciou ontem que o governo ?está manipulando irresponsavelmente e de forma corrupta? o orçamento de 2004 para beneficiar os candidatos do PT e seus aliados. Segundo relatório do PFL, na libertação de recursos orçamentários deste ano, o governo privilegiou as prefeituras nas quais candidatos do PT ou de partidos governistas tentarão de ser reeleitos. ?Os dois principais partidos da oposição controlam 40 por cento das prefeituras do país. Mesmo assim, apenas cinco por cento dos recursos solicitados por nossos partidos para estas cidades foram atendidos?, afirmou o vice-líder do PFL na Câmara, deputado Pauderney Avelino. ?Nós não liberamos recursos para candidatos. O governo libera recursos a governos estaduais e municipais?, respondeu o ministro de Coordenação Política, Aldo Rebello.