Política
Lessa distribui ironias para ex-aliados
ODILON RIOS O discurso do governador Ronaldo Lessa foi recheado de indiretas aos ex-aliados, mas colocou um ponto final na participação do PPS, PMDB e PSDB no governo estadual. ?A reforma partidária terá de vir, porque não se pode ter essa proliferação que existe (de partidos) e o desprezo que o partido político representa nesse contexto. É lamentável?, desabafou o governador, ao comentar a saída dos partidos do governo. O governador evitou falar, entretanto, em racha. ?O fato de o PMDB ter candidato não quer dizer que no outro dia ele vai virar vilão?, avaliou Lessa, agradecendo a ?todos os partidos que deram sua contribuição ao governo?. Só que no discurso de Lessa as frases fortes e sem endereço explícito serviram para mostrar que a nova composição eleitoral não é vista pelo governo como algo pacífico ou ?normal?. Lessa, por exemplo, criticava o modelo político de eleger, de dois em dois anos, candidatos porque isso ?também cria espaço para vagabundo?. ?O cara tem um cargo, fica disputando outro cargo e ninguém entende nada?, disse, em tom irônico, sem esclarecer a quem se referia. ?Há aquele que dá vida a si próprio. Ele está representando um grupo ou facções. Mas há aquele que quer ver o público e erra porque é humano?, alfinetava, mais uma vez. ?Tem gente que acha que é mais radical e toma atitudes conservadoras?, disparou o governador. Depois das farpas, panos quentes. Lessa lembrou-se de elogiar os ex-aliados Renan Calheiros (PMDB), Teotonio Vilela Filho (PSDB) e a senadora Heloísa Helena (sem partido). Em outro evento, na Praça Marcílio Dias, em Jaraguá, com o ministro da Saúde Humberto Costa, Lessa admitiu a pressão do PSB para recuperar os cargos, mas disse reconhecer que Renan, Téo e Regis tinham colocado os cargos à disposição do governo há mais tempo. ?Há pressões de dentro do partido, mas os partidos já tinham entregue os cargos. Mudanças Um dia depois do registro das candidaturas que vão disputar oficialmente as eleições, os partidos que lançaram candidatos próprios ao governo municipal começaram, a partir de ontem, a retirar os nomes do governo estadual. Tito Uchôa (ex-secretário de Inserção e Assistência Social, indicado pelo PMDB), Ricardo Santa Ritta (ex-secretário de Turismo, também do PMDB) e Anivaldo Miranda (ex-secretário de Meio Ambiente, Recursos Hídricos e Naturais, do PPS) foram exonerados e em seus lugares assumiram os secretários-adjuntos que, por enquanto, comandarão os destinos das secretarias: Fernando Soares Silva (Assistência Social), Andréa Brito (Turismo) e Pedro Macedo dos Santos (Recursos Hídricos). Na solenidade, dois dos três secretários exonerados estavam presentes: Anivaldo Miranda e Santa Ritta. Tito Uchôa não compareceu. Segundo Miranda, a saída do governo é o ?resultado natural do modelo político presidencialista?. Mas também saiu-se com uma ironia sobre o que acontece em campanha eleitoral: ?A política alagoana precisa amadurecer. Costumo ter zelo e ética?.