Política
PDT deixa governo Lessa, mas Almeida ainda � da base aliada
MARCOS RODRIGUES E ODILON RIOS O PDT está fora do governo estadual. A pressão contra a permanência foi maior que o apego aos cargos e, assim como o PMDB, o partido ficará longe do Palácio, pelo menos oficialmente, até a eleição. Entre os atores que protagonizaram a saída do secretário da Economia Solidária, Trabalho e Renda Corintho Campelo da Paz, estão a prefeita Kátia Born e até setores do PTB. A saída de Campelo foi confirmada ontem pelo governador Ronaldo Lessa, em entrevista à Rádio GAZETA. Por telefone, Lessa disse que ainda não tem o nome do substituto para a pasta, mas aproveitará sua viagem ao Rio de Janeiro para pensar em quem indicará. ?Não foi mais possível a permanência [do PDT] e nós já estamos em busca de um nome. Neste processo, conversei com os partidos envolvidos e também com o líder do PDT, Geraldo Sampaio?, disse Lessa, sem revelar detalhes das discussões. A GAZETA DE ALAGOAS publicou na quarta-feira (7) que, para o PTB, a questão sobre a permanência ou não do partido no governo era ?uma questão interna do próprio PDT?, como avaliava o coordenador político do PTB, João Neto. Mas parece que os incômodos foram bem maiores. PT Indagado sobre a possibilidade de o PT conquistar uma secretaria importante para justificar a aliança com o PSB, Lessa não definiu áreas para o partido, mas confirmou que os entendimentos continuam. Entretanto, a vacância do cargo de Corintho e o perfil da secretaria abrem a possibilidade de o PT ocupá-la. A única certeza até ontem sobre os petistas era de que o deputado Paulo Fernando dos Santos é o interlocutor, com o governo, quando o assunto é a participação do PT no Executivo estadual. Em relação à Prefeitura de Maceió, o articulador é o próprio candidato a vice na chapa de Alberto Sextafeira, José Roberto Mendes. A GAZETA tentou ontem contato com os dois interlocutores, mas eles não atendiam às ligações. Ajuda O governador revelou, ainda, que pode pedir ajuda aos seus novos aliados petistas para que possam participar de negociações com categorias de servidores estaduais que ameaçam entrar em greve, como as áreas da Saúde, Educação e Polícia Civil, que ampliou a greve. Depois que PT e PSB se uniram para a sucessão da prefeita Kátia Born, José Roberto, que é sindicalista bancário, já chegou a declarar que pode ser ?um elo entre a gestão e os movimentos sociais?. A tentativa do PSB, além de manter um representante sindical nas bases do governo, é aproximar também os dissidentes do próprio partido, que ainda relutam em aceitar a aliança com o candidato a prefeito Alberto Sextafeira. Isso porque Sexta foi denunciado pelo próprio PT, mediante dossiês, sobre possíveis irregularidades no Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet). Na entrevista dada ontem à Rádio GAZETA, Lessa disse que a participação do PT criaria uma nova situação, além de demonstrar compromisso com os problemas do Estado. ?Poderia ser uma alternativa pedir ao PT que mediasse essa relação. Mas quero deixar claro que, mesmo tendo me aborrecido com um sindicalista, não quero cortar relações. Na verdade, o problema ocorrido com um deles é um fato isolado?, garantiu Lessa. O episódio ao qual se referiu o governador foi um bate-boca entre ele e o sindicalista Wellington Monteiro, do Sindicato dos Enfermeiros, quarta-feira, durante reunião no Palácio com servidores. PTB Livre da polêmica envolvendo os cargos do governo, o PDT passou a resolver os seus próprios problemas. Com os petebistas de Lourdinha Lyra, por exemplo, o único ponto divergente era Corintho permanecer como secretário. A preocupação era que isso seria cobrado pelos adversários. Um exemplo foi o que aconteceu durante o primeiro debate envolvendo pré-candidatos. O candidato Ildo Rafael (PMN), como franco-atirador, ?denunciou? Téo Vilela e Almeida como sendo parte da ?falsa oposição?. O candidato Cícero Almeida confirmou ontem que o partido, no governo, provocaria constrangimentos a sua candidatura. Mesmo assim, ele preferiu não polemizar sobre o tema. ?A situação realmente ficou incômoda. Mas acho normal o que ocorreu, dentro do processo político. Agora, não quero estadualizar a eleição, porque ela é municipal. E para provar que não há problemas, vou, inclusive, continuar na bancada do governo?, disse Almeida.