Política
ESTADO TEVE A MAIOR QUEDA EM PROCEDIMENToS MÉDICOS NA PANDEMIA Foram 782.189 a menos entre março e dezembro de 2020, na comparação com o mesmo período do ano anterior ARNALDO FERREIRA REPÓRTER Os médicos de Alagoas destacam também a necessidade de mais de 50 mil cirurgias eletivas, sem contar os mais de 700 mil exames, consultas e pequenas cirurgias reprimidas nos últimos dois anos. Os cinco hospitais novos devem precisar de apoio para atender a demanda reprimida, avaliam a Comissão de Saúde
Foram 782.189 a menos entre março e dezembro de 2020, na comparação com o mesmo período do ano anterior
Os médicos de Alagoas destacam também a necessidade de mais de 50 mil cirurgias eletivas, sem contar os mais de 700 mil exames, consultas e pequenas cirurgias reprimidas nos últimos dois anos. Os cinco hospitais novos devem precisar de apoio para atender a demanda reprimida, avaliam a Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa, o Conselho Regional de Medicina, Sindicato dos Médicos e cirurgiões. Os profissionais defendem política arrojada para as necessidades emergenciais. A cobrança na verdade começou no governo passado que não reagiu com agilidade.
Segundo os Conselhos Federal e Regional de Medicina, o Estado registrou a maior queda do Brasil em procedimentos médicos na fase aguda da pandemia. Foram 782.189 procedimentos a menos entre março e dezembro de 2020, quando comparado com o mesmo período de 2019. De acordo com os levantamentos, o recuo foi de 47%. Estes procedimentos incluem exames e consultas médicas. Em julho do ano passado, a pesquisa apontou que Sergipe e Acre foram os únicos estados a retomarem as cirurgias eletivas do País. De lá para cá, a rede hospitalar alagoana continuou patinando nessa questão, sem falar nas distorções da folha salarial, onde um seleto grupo de profissionais foi denunciado por ganhar mais de R $50 mil com plantões fantasmas, disse o deputado Davi Maia (UB) em discurso no plenário do Legislativo.
Na verdade, em 2020, a Covid-19 provocou queda de 27 milhões nos procedimentos de saúde que não são de emergência no Brasil. Segundo o estudo do CFM, em todo o Brasil, foram 16,6 milhões de exames de diagnóstico a menos, 8,8 milhões de procedimentos clínicos, 1,2 milhão de pequenas cirurgias e 210 mil transplantes. Os procedimentos considerados eletivos, que não são de urgência e emergência, tiveram impacto pelo direcionamento de boa parte da estrutura da rede de saúde para atender os pacientes com Covid-19.
Entre março e abril de 2020, com o avanço da primeira onda da pandemia, houve uma queda de quase a metade do número de procedimentos no País. As áreas mais afetadas entre março e dezembro de 2020, em comparação com o mesmo período no ano anterior, foram as consultas e exames em Citopatologia (-51%), neurologia (-40%), anatomopatologia (-39%), cardiologia (-38%), oftalmologia (-34%) e medicina clínica (-33%).
Os procedimentos que tiveram maiores impactos foram os da área de oftalmologia (-6,2 milhões), seguidos por radiologia e diagnóstico de imagem (-5,3 milhões), médico-clínico (-2,8 milhões) e radioterapia (-2,5 milhões). Sofreram grandes quedas exames como os de gasometria (medição de quantidade de O2 e CO2 no sangue), câncer e Papanicolau. Outros procedimentos afetados foram o atendimento em centro de atenção psicossocial, cauterização de lesões na pele e atendimento para indicação ou inserção do dispositivo intrauterino (DIU).
Por regiões afetadas: Nordeste (-31%), Sul (-29%), Sudeste (-27%) e Norte (-21%). Entre os estados, além de Alagoas, as reduções mais intensas se deram no Piauí, com recuo de 45%, Amazonas (-38%), Espírito Santo (-36%), Mato Grosso do Sul e Sergipe (-35%). A CFM avalia que é possível adotar uma série de medidas para tentar compensar a queda, como campanhas junto aos pacientes, sobretudo para os que têm doenças crônicas.
Em Alagoas os exames com as maiores baixas no atendimento foram mamografia, ultrassonografia, os de prevenção das doenças cardíacas, diabetes, dentre outros. A situação é preocupante, disse a deputada Jó Pereira (MDB). “O sistema de saúde só atendeu à demanda do coronavírus. Isto quer dizer que os hospitais de campanha eram necessários. Faltou estratégia para garantir o atendimento preventivo das outras doenças”.