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Política

METADE DOS VEREADORES POR MACEIÓ DEVE DISPUTAR AS ELEIÇÕES

Boa parte se aventura na ‘popularidade’ conquistada nos últimos meses e se apega às novas ferramentas de comunicação

Por thiago gomes | Edição do dia 21/05/2022 - Matéria atualizada em 20/05/2022 às 23h21

A dois meses para iniciar o período das convenções partidárias (entre 20 de julho e 5 de agosto), o clima começa a esquentar na Câmara Municipal de Maceió, com a movimentação das pré-candidaturas. Dos 25 vereadores eleitos em novembro de 2020 (nem dois anos de mandato), pelo menos a metade (ou até mais) estão com as articulações avançadas para as disputas proporcionais em outubro deste ano. Com a experiência das urnas, eles se lançam a mais um desafio e tentam expandir as bases para o interior, atitude que é necessária para quem quer uma vaga na Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE) ou voar para Brasília, na Câmara Federal. Inevitavelmente, por estarem na capital, seus nomes viram vitrine política, mas, este não é um fator determinante para obter a preferência do eleitorado no Estado. Dos detentores de mandato na Câmara de Maceió, boa parte se aventura na ‘popularidade’ que conquistaram nos últimos meses e se apega às novas ferramentas de comunicação, que devem impulsionar as campanhas deste ano. A eleição presidencial também dará o norte a muitos destes pré-candidatos, assim como ocorreu no pleito de 2018. O programa de governo e as ideologias que os candidatos ao Planalto defendem farão parte do bojo estratégico dos concorrentes locais. Pelo cenário de momento, 14 vereadores por Maceió devem confirmar a candidatura este ano e, assim como deve acontecer no Poder Legislativo Estadual, provocar o esvaziamento das sessões ordinárias na Casa de Mário Guimarães. A caminhada até o dia da votação no primeiro turno, 2 de outubro, vai ofuscar discussões importantes para o município, obrigando o Parlamento Municipal a tocar o expediente com quórum mínimo. Por isso, 56% é o número que representa o percentual de parlamentares da Câmara que já se coloca como pré-candidato em 2022. Sair em campanha no meio de um mandato parlamentar indica o interesse dos políticos em avaliar a popularidade dos próprios nomes em suas bases. A avaliação é feita por alguns dos vereadores pré-candidatos, de modo reservado. A estratégia é uma espécie de teste de força. Uma vez em campanha, eles fortalecem a própria imagem junto ao eleitorado e, caso não sejam eleitos, a Lei Eleitoral permite que continuem com o mandato no Parlamento da capital. Com base em sinais que estes vereadores estão dando, seja pela quantidade de adesivos em veículos, propaganda nas redes sociais, discursos marcantes nas sessões plenárias e presença cativa em eventos públicos, a Gazeta ousa publicar que metade da Câmara deve disputar a eleição deste ano. Alguns até já disseram, publicamente, que são pré-candidatos ou ocupam espaço frequente em comentários analíticos de blogs políticos dando conta desta possibilidade ser real. São eles: Leonardo Dias (PL), Teca Nelma (PSD), João Catunda (Progressistas), Delegado Fábio Costa (Progressistas), Samyr Malta (PTC), Dr. Valmir de Melo (PT), Eduardo Canuto (Podemos), Alan Balbino (PSD), Francisco Sales (PSB), Brivaldo Marques (MDB), Pastor Oliveira Lima (Republicanos), Cláudio Moreira – Cau (PSC), Silvania Barbosa (MDB) e Gaby Ronalsa (União Brasil). Leo Dias, Teca Nelma, Fábio Costa, Gaby Ronalsa e Silvania Barbosa, por exemplo, dão sinais claros de que farão dobradinha (Assembleia e Câmara) com parentes ou pessoas que se alinham com suas ideias, algumas detentoras de mandato e que vão disputar a reeleição. Este ponto não quer dizer, necessariamente, que eles têm mais chances ou não de brigar pela vaga que almejam. Os edis pré-candidatos se dividem em grupos específicos com estratégias próprias no Parlamento. Entre eles está o dos vereadores de oposição à direita na Casa, filiados ao PL, e os que têm inclinação ao Centro e à esquerda. A quantidade de postulantes pode ainda ser maior, já que as legendas partidárias têm uma cota para as candidaturas. Quem está no exercício do mandato é sempre escolhido, pelos partidos, para as disputas eleitorais. O que interessa é somatório de votos, que pode ser um fator determinante na contagem para puxar algum candidato ou deixá-lo na suplência. O analista político Ranulfo Paranhos cita, pelo menos, três fatores que podem explicar a tentativa destes vereadores em buscar voos mais altos na carreira. É como se fosse uma jogada no tabuleiro, com várias possibilidades. “A primeira delas é porque eles [os vereadores] acreditam que, por estarem no mandato, têm condições de ir para outra esfera. Sair da municipal para a estadual ou federal. Eles fazem esta avaliação considerando variados motivos. Acham que estão desenvolvendo bem seu trabalho e, com isso, conseguiram visibilidade ou apoio para capilarizar o nome nos interiores do Estado, visto que, para deputado estadual e deputado federal, precisa-se desse apoio e o capital político”, avalia o especialista. Além de acreditar que podem entrar na disputa, por já serem conhecidos da população, Paranhos indica que o mandato, em tese, gera o trampolim político que estas figuras precisam. “O vereador está migrando de uma esfera menor, com poder reduzido, para uma esfera de maior. Então, nesse caso, você sai da esfera de vereador, que você legisla sobre o município, para deputado estadual ou federal, para ampliar as possibilidades, o que dá mais status e mais poder de decisão e influência, até dentro dos partidos políticos”. Segundo ele, o candidato que aposta na visibilidade do mandato que exerce para galgar outras posições está pensando no estabelecimento da carreira política. “O político profissional tem uma lógica e uma necessidade de se manter no poder. Ele tem que estar em evidência, ou seja, precisa do cargo público eletivo e, para isso, tem que aumentar ao máximo seu tempo de mandato”, completa.

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