Política
Custo para se tornar prefeito pode chegar a R$ 15 mi
MARCOS RODRIGUES GILVAN FERREIRA ODILON RIOS A campanha em Maceió oficialmente já começou. Mas antes de o eleitor tomar conhecimento das propostas para gerenciar a cidade, e os partidos se apresentarem, todas as articulações são para a garantia de recursos. Nos bastidores políticos circula a informação de que o preço de uma campanha para prefeito pode chegar à incrível soma de R$ 15 milhões. Esse valor, porém, em nada condiz com o que foi declarado pelas coligações majoritárias ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Todos, sem exceção, dizem que vão gastar bem menos do que esse valor. Para o cientista político Eduardo Magalhães, o valor, mesmo parecendo alto, pode ser bastante real, principalmente por causa da saturação, por parte do eleitorado, do discurso político. ?Numa campanha com as características dessa que se aproxima, o que vai prevalecer não é, necessariamente, o debate político, mas sim as produções de TV, os comícios, a ajuda a aliados, camisas, adesivos, a campanha de rua e também a compra de votos. É um fato grave, mas é uma realidade?, alertou o professor. Ele fez suas revelações durante entrevista na Rádio GAZETA. Analista experiente, Magalhães identifica que o processo eleitoral, mesmo se apoiando no Guia Eleitoral, se definirá no trabalho externo. É durante as atividades de rua que ocorre o maior assédio financeiro para os candidatos. Magalhães considera que o desemprego será o tema prioritário para o processo eleitoral, por conta da federalização do processo eleitoral. Para ele, emprego, principal bandeira do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é o que a população mais vai cobrar dos candidatos. E é justamente por conta do desemprego que milhares de pessoas buscam as coligações para trabalhar. Durante este período surgem funções como: colador de cartaz, pintor, expositor de bandeira, distribuidor de bandeiras e até o papel de figurante de comício. Em todas estas funções a remuneração, até o último pleito, oscilava entre R$ 10 e 50. Contudo, se por acaso alguma coligação, em função do poder econômico, pagar valores mais elevados a seus ?colaboradores?, naturalmente inflacionará o processo. A contratação dos ?sem-emprego? para a campanha acontece mediante contato, na maioria dos casos, com lideranças dos bairros. Os próprios líderes já recebem por este trabalho. A mão-de-obra que oferecem está localizada na periferia, onde basicamente não há ações municipais.