Política
Galego do Veneno vai para quarta tentativa
MARCOS RODRIGUES O candidato a vereador por Maceió Genésio Rodrigues dos Santos (PMN), o ?Galego do Veneno?, vai para a sua quarta tentativa de se tornar político. Se para alguns candidatos o dinheiro é o principal numa campanha, para ele o Guia Eleitoral é uma forma de conseguir contratos para comerciais. Conhecido vendedor autônomo de remédios à base de ervas, nos trilhos de trem que cortam o Mercado da Produção, no bairro da Levada, ele quer apenas ser garoto-propaganda. ?Meu filho, eu não estou aqui tentando novamente me eleger. Quero é aparecer. Agora, tenho fé em Deus. De repente, quando os outros menos esperarem, eu estou lá?, diz o candidato, sempre em voz alta. Gesticulando muito e usando um chapéu de abas largas, ele abre a carteira para mostrar que tem dinheiro para gastar. ?Eu estou preparado. Tá aqui o dinheiro. Tenho até dólar para gastar nessa campanha?. Os dólares, porém, são notas de baixo valor que ele usa para brincar com os concorrentes. Filiado ao PMN, ele segue para a sua quarta tentativa de se eleger. Até agora, foram duas tentativas para deputado e uma para vereador. Em nenhum momento ele demonstra preocupação com as dificuldades de se eleger, já que seu partido só firmou uma aliança com o PRTB, outro partido nanico. Para o Galego, o que vale é a participação. ?Eu não ganho, mas fico ainda mais conhecido. Pra mim, já é uma vitória. As pessoas gostam do meu jeito. Sou uma pessoa de palavra e por isso sou bem-aceito. Já fiz até comerciais!?, diz ele, todo alegre. E é verdade. Galego do Veneno é um personagem que já ajudou a vender xarope popular, um ?remédio para a gripe?. Por causa de suas características, ele só pode ter associados à sua imagem produtos de consumo popular. No mercado Galego do Veneno se popularizou vendendo no mercado, a preço popular, remédios sem manipulação industrial. Há pelo menos 17 anos ele anuncia seus produtos com um alto-falante adaptado em seu carro. Poucos sabem seu verdadeiro nome. Sentado num banco e falando alto, mesmo quando não há ninguém ao seu redor, ele não pára de falar: ?Por favor, tenham calma. Chega de empurrão, tem para todos. Se não fizer fila, eu não vendo?. No jargão da eleição, Galego do Veneno é um ?poca-urna?. O termo é aplicado a candidatos que não conseguem votos além dos da família. Mas Galego já ultrapassou a barreira dos 100 votos.