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Magistrada enfrenta press�es de poderosos

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MAIKEL MARQUES Sucursal Arapiraca - A juíza Iva Bernadete Franco Nunes é a autoridade maior no processo eleitoral de Cacimbinhas e de outros dois ?barris de pólvora? no sertão de Alagoas: Dois Riachos e Minador do Negrão, municípios vinculados à 46ª Zona Eleitoral e onde os diversos grupos políticos disputam o poder com a ?força do bacamarte? ? expressão da magistrada ? e ainda impõem o voto de cabresto. ?A situação é mais complicada em Minador, onde há político que, se pudesse, rasgaria a Constituição e imporia um sistema ditatorial?, alerta a juíza, que costuma fazer palestras aos estudantes da região mostrando-lhes a importância do voto livre e democrático. Pernambucana do Recife, a juíza Iva Bernadete trabalha em Alagoas há 23 anos, nove dos quais dedicados a fazer cumprir a lei na Comarca de Cacimbinhas, na qual estão incluídos Minador e Dois Riachos, tradicionais currais eleitorais onde a população, dependente da agricultura de subsistência, convive com o medo de não poder expressar opinião. Segundo a juíza, a pressão política seguida de ameaças e agressões ainda faz parte do cotidiano da região. ?Há político que ainda invade residência para exigir que seja feita a sua vontade?, revela. Conciliadora Figura querida e respeitada na região, a juíza também atua como conciliadora dos políticos que ameaçam (ou ameaçavam) confronto e insistem na prática de atitudes antidemocráticas. Única pessoa da região com autoridade suficiente para fazer sentar à mesa políticos declaradamente inimigos (como ocorreu com o fazendeiro José Nilton Cardoso e o deputado estadual Cícero Ferro), Iva Bernadete tomou medida semelhante para a próxima terça-feira, quando reúne no Fórum da Comarca o deputado Cícero Ferro e sua esposa, Eladja Ferro, que disputa a prefeitura de Minador do Negrão contra Emílio Barros. Também vão se reunir os quatro políticos que brigam pelo poder em Dois Riachos. A pauta do encontro já está definida. A principal reivindicação da juíza é o respeito à democracia. Ou seja: vai pedir, mais uma vez, aos dois grupos políticos que observem as leis e ?joguem limpo? na disputa pela prefeitura do município. Segundo revelou à GAZETA, ela tomou a decisão de convocar a reunião depois de ter sido procurada por eleitores que ameaçam não votar em 3 de outubro porque não se sentem seguros. Medo de votar ?Se pudessem, alguns dos políticos da região rasgariam a Constituição Federal. Não podemos aceitar situações antidemocráticas?, adverte a juíza. Ela já cogita pedir ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) o envio a Minador do Negrão de tropas federais, com o mínimo de três dias de antecedência. ?Se o Exército não chegar antes, o cidadão fica sem coragem de exercer o direito de votar em quem quiser. O medo é muito grande porque um dos candidatos não admite a candidatura adversária?, revela a juíza. Palestra nas escolas A juíza diz, também, que não abre mão de ter acesso às salas de aula em escolas públicas de Cacimbinhas, Minador e Dois Riachos ? os três municípios totalizam 17.260 eleitores. Em suas palestras, ela costuma explicar à juventude que é importante fazer valer os preceitos democráticos, embora muitos desses jovens ?tenham como único referencial atitudes ditatoriais?. ?Acreditamos que o trabalho de conscientização será capaz de mudar a realidade política da região?, diz a juíza, segundo a qual o chamado ?voto de cabresto? ainda faz parte do cotidiano, principalmente de Minador, porque boa parte de seus eleitores tem pouca instrução. ?A falta de instrução faz com que muita gente fique à mercê de políticos. Nosso objetivo é contribuir para mudar esta realidade?, explica Bernadete. Face oculta A ?face oculta? da pressão política na região fica evidente quando os oficiais de Justiça tentam cumprir a determinação de checar informações prestadas ao cartório eleitoral. Segundo a juíza revelou à GAZETA, os funcionários da Justiça costumam sofrer ameaças quando estão visitando domicílios para saber se os eleitores residem em determinado município. Mediante análise de declarações e visitas domiciliares, os oficiais conseguiram comprovar que 100 pessoas haviam apresentado contas de luz falsificadas para tentar mudar de domicílio eleitoral. ?Tinha gente grande interessada no voto dessas famílias?, explicou a juíza Iva Bernadete. Apesar de sofrer muita pressão política, ela diz que conta apenas com a ?segurança divina? para exercer seu ofício e fazer cumprir a lei para os moradores da região.

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