Política
Candidatos t�m padrinhos de campanha
MARCOS RODRIGUES A sucessão da prefeita Kátia Born (PSB) ainda não foi marcada pela discussão de idéias para gerir Maceió. Entretanto, tem exposto uma realidade da campanha: a presença dos ?padrinhos? políticos. As três principais candidaturas majoritárias simplesmente não existiriam se não fossem a insistência e a persistência de alguns padrinhos. Foi assim com o deputado estadual Cícero Almeida (PDT-PTB), com o médico José Wanderley Neto (PMDB-PSDB) e com o vice Alberto Sextafeira (PSB-PT). Este último é abertamente apadrinhado, desde o nascimento de sua candidatura, pela prefeita Kátia Born. No caso do deputado Almeida, seu primeiro padrinho foi o ex-vice-governador Geraldo Sampaio. Desde sua eleição para vereador o candidato mantém uma relação de respeito com Sampaio. Enquanto era pré-candidato, Almeida evitava dar detalhes das articulações políticas. ?Só posso garantir que sou candidato e que todo o resto está sendo articulado pelo doutor Geraldo?, dizia. Com estratégia ou não, o fato é que Sampaio emplacou Almeida como candidato. Aproveitando um momento político favorável, aproximou-se do PTB. Com a desistência do deputado federal João Lyra, Sampaio articulou a aliança. Se antes a candidatura de Almeida corria o risco de ser ?franciscana?, o novo aliado João Lyra parece ter resolvido o assunto, tornando-se um padrinho mais recente, mas muito bem-vindo por Sampaio e pelo candidato. Ao garantir a filha de João Lyra, Lourdinha Lyra, como vice em sua chapa, Almeida naturalmente capitaneou os compromissos financeiros de Lyra com sua candidatura. O novo padrinho garantiu uma perspectiva de gastos com campanha de R$ 5 milhões. ?Nós vamos ganhar essa eleição e vamos mudar Maceió?, disse no dia do anúncio da chapa. União Para Geraldo Sampaio, essa aliança não significa apenas a perspectiva de conquista da prefeitura, mas uma proposta para o governo do Estado. Ideologicamente, a composição com o PTB representou um reencontro histórico. Isto porque o trabalhismo democrático ? corrente defendida pelo PDT ? é fruto de uma dissidência do PTB. Em nível nacional, as duas legendas, depois da morte do ex-governador Leonel Brizola, retomaram a discussão sobre uma possível fusão dos dois partidos. ?Começamos isso por Maceió?, considera Lyra. Imagem Do lado da candidatura do PMDB-PSDB, o principal reforço dos padrinhos é quanto à consolidação da imagem do candidato José Wanderley Neto e de seu vice Jorge VI. Renan Calheiros e Téo Vilela estão diariamente ao lado da chapa que montaram. Desde a definição do acordo para definir a composição, os dois não desgrudam dos candidatos. Eles definiram todo o processo de construção da chapa depois de várias ?desilusões? no meio do caminho. A única certeza que mantiveram era a de que romperiam com o PSB municipal e se manteriam lado a lado. Segundo a assessoria do senador Téo Vilela, ele usará seu prestígio político para que a candidatura de Wanderley decole. Como Vilela chegou a ser candidato a prefeito da cidade, até o projeto da chapa tem sua coordenação. Wanderley e Jorge VI têm apenas de encarnar e assumir as propostas. Renan Calheiros foi mais além. Já chegou a garantir que também será o padrinho da chapa em Brasília, se obtiver êxito na disputa. Enquanto isso, conduz e orienta a campanha. Renan até se preocupou em levar o candidato para uma visita às obras de ampliação do Aeroporto Zumbi dos Palmares. Os padrinhos mandam, os afilhados, por enquanto, obedecem. Depois tentarão dar sua própria fisionomia à campanha e, se ganharem a disputa, à administração.