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CHUVAS DANIFICAM MUSEU DE HISTÓRIA NATURAL E ACERVO FICA AMEAÇADO Diretor confirma situação crítica do imóvel centenário e quer R$ 1 milhão para recuperar patrimônio ARNALDO FERREIRA REPÓRTER As fortes chuvas das últimas duas semanas em todo o Estado também danificaram seriamente o centenário prédio da Faculdade de Medicina de Alagoas, que hoje abriga o Museu de História Natural da Universidade Federal de Alagoas. A parte estrutural do imóvel está com infiltrações, e as redes elétrica e hidráuli

Diretor confirma situação crítica do imóvel centenário e quer R$ 1 milhão para recuperar patrimônio

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Imagem ilustrativa da imagem CHUVAS DANIFICAM MUSEU DE HISTÓRIA NATURAL E ACERVO FICA AMEAÇADO
Diretor confirma situação crítica do imóvel centenário e quer R$ 1 milhão para recuperar patrimônio
ARNALDO FERREIRA
REPÓRTER
As fortes chuvas das últimas duas semanas em todo o Estado também danificaram seriamente o centenário prédio da Faculdade de Medicina de Alagoas, que hoje abriga o Museu de História Natural da Universidade Federal de Alagoas. A parte estrutural do imóvel está com infiltrações, e as redes elétrica e hidráuli
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As fortes chuvas das últimas duas semanas em todo o Estado também danificaram seriamente o centenário prédio da Faculdade de Medicina de Alagoas, que hoje abriga o Museu de História Natural da Universidade Federal de Alagoas. A parte estrutural do imóvel está com infiltrações, e as redes elétrica e hidráulica precisam de reparos urgentes. Sobre um possível curto-circuito e risco de incêndio, o diretor do museu, professor-doutor Jorge Luiz Lopes da Silva, revelou que a instituição está tentando minimizar os riscos, mas o perigo existe. O museu tem um acervo paleontológico de 400 milhões de anos. Para evitar prejuízos semelhantes ao que aconteceu no incêndio do Museu Nacional do Rio de Janeiro na noite de 2 de setembro de 2018, os pesquisadores e o diretor do museu da Ufal adotaram medidas preventivas. Os acervos paleontológicos, por exemplo, foram retirados de salas de exposição e levados para locais seguros. “Não estamos expondo os acervos de riscos por conta do perigo no imóvel. Esses acervos precisam ser mantidos em ambientes climatizados, seguros e criamos um espaço distante das áreas críticas”, disse o professor Jorge Luiz. Os funcionários, professores, pesquisadores e estudantes confirmam que o prédio precisa de reforma geral na infraestrutura. A pesquisadora do museu, professora-doutora Ana Lopes da Silva, também confirmou a necessidade de reformar as redes elétricas, hidráulicas e toda a estrutura do prédio. O diretor do museu avaliou que os custos das reformas superam, estimativamente, R$ 1 milhão. O museu não conta com dotação orçamentária própria e depende dos repasses da universidade. O orçamento da Ufal este ano passa de pouco mais de R$ 1 bilhão. Segundo o reitor Josealdo Tonholo, a dotação é insuficiente para manter a folha de pessoal, garantir investimentos até em laboratórios, manutenção, equipamentos e insumos. A instituição enfrenta política de contingenciamento de investimentos, corte de 14% do orçamento e provavelmente deverá solicitar suplementação orçamentária ao Ministério da Educação, que, por sua vez, enfrenta cortes orçamentários. “Hoje, a universidade não tem como arcar com uma despesa tão grande como a nossa, de recuperação do museu, manutenção e preservação do imóvel”, reconheceu o professor Jorge Luiz Lopes da Silva. Ele estuda mecanismos legais para buscar possíveis parceiros interessados em preservar o bem cultural “valiosíssimo para a ciência” e tentar fazer uma Parceria Público Privada para “salvar” o museu.

ACERVO

No acervo do museu tem material fóssil com mais de 400 milhões anos e coleções do momento atual. Os fósseis guardam vestígios de atividades de organismos marinhos, encontrados na região do Sertão de Alagoas e que confirmam que no passado o Sertão foi fundo de mar. Tem, ainda, rastros de passagem de animais daquela era, testemunhos de pegadas e marcas deixadas pelos seres que viveram no período Orosiriano [iniciou em 2,05 bilhões de anos atrás e terminou em 1,8 bilhão de anos atrás. É o terceiro período da Era Paleoproterozoica. O nome vem do grego e significa montanhas extensas e Devoniano. Esse período ocorreu de 416 a 358 milhões de anos. Foi o quarto período da era paleozoica e precedido pelo Período Siluriano e seguido pelo Período Carbonífero. É conhecido como “Era dos peixes”, embora eventos significativos também tenham ocorrido na evolução das plantas, dos primeiros insetos e de outros animais. É o quarto dos seis períodos geológicos que compõem a era paleozoica, a era mais antiga da vida multicelular na Terra, estendendo-se de cerca de 542 a 251 milhões de anos atrás.

Os animais da coleção do museu da Ufal são alguns invertebrados como vermes marinhas, equinodermos [Filo Echinodermata, são animais marinhos que apresentam movimentação lenta ou são sésseis. Possuem um endoesqueleto formado por placas calcárias e, em sua maioria, apresentam projeções pontiagudas e espinhos, segunda a pesquisadora Vanessa Sardinha Dos Santos] moluscos, fósseis mais recentes de até 80 mil anos atrás como as preguiças gigantes (15 mil anos), mastodontes, toxodontes, entre outros animais de uma coleção com mais de 20 mil fósseis de plantas, invertebrados, vertebrados. Além das coleções contemporâneas de minerais, rochas, anfíbios, répteis, aves, mamíferos, peixes, 60 mil poliquetas, 60 mil crustáceos, ou seja, o acervo é um dos mais importantes do Nordeste. Outro detalhe interessante é que algumas réplicas das coleções mais importantes serão doadas para o museu nacional do Rio de Janeiro, assim que a instituição estiver em condições de receber as doações, adiantou o professor Jorge Luiz. Leia mais na página A8

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